São Paulo Apuração preliminar sobre acidente em Taguaí (SP) indica falha humana

Apuração preliminar sobre acidente em Taguaí (SP) indica falha humana

Ao menos 41 pessoas morreram no choque entre um ônibus que levava funcionários de fábrica de jeans e uma carreta no interior do estado

Agência Estado

Diante do grande número de vítimas, o trabalho de investigação sobre a causa do acidente de ônibus que deixou 41 mortos entre as cidades de Taguaí e Taquarituba, no interior paulista, na manhã desta quarta-feira (25) está sendo realizado por meio de força-tarefa. A delegada de Taguaí, Camila Rosa Alves, diz que a apuração preliminar indica falha humana e destaca o esforço de uma identificação célere dos corpos para que "as famílias possam prestar uma última homenagem".

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Acidente provocou 41 mortes e deixou 11 feridos

Acidente provocou 41 mortes e deixou 11 feridos

Reprodução

A colisão foi entre um ônibus que transportava funcionários de uma fábrica de jeans e uma carreta que levava estrume. A Star Turismo, empresa responsável pelo coletivo, operava de forma ilegal há mais de um ano, conforme a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

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Segundo Camila Rosa Alves, delegada de Taguaí, há mais de uma versão para a ocorrência, mas a apuração preliminar indica que pode ter sido um caso de falha humana. "A gente está apurando a conduta principalmente do motorista do ônibus, que está em estado grave. Mas a investigação depende da conclusão dos laudos periciais que foram realizados no local e da oitiva de testemunhas, que estavam no evento, mas que também estão hospitalizadas. Tem testemunha que está milagrosamente com lesão leve, mas tem o emocional. Agora, não é hora de se pegar oitiva."

A Polícia Civil de Itaguaí informou que o motorista do ônibus ainda não foi ouvido formalmente sobre as causas do acidente. A um policial que o ouviu de maneira informal, ele teria dito que o ônibus estava sem freios. O homem, de 55 anos, está internado, com suspeita de traumatismo craniano, na Santa Casa de Fartura.

Choque entre ônibus e caminhão deixou 11 feridos

Choque entre ônibus e caminhão deixou 11 feridos

Reprodução/Record TV

Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as unidades do Instituto Médico-Legal (IML) de Avaré, Botucatu e Itapetininga foram acionadas, tendo em vista o número de óbitos. Inicialmente, os 11 feridos foram encaminhados para hospitais de Fartura, Taguaí e Taquarituba. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, três foram transferidos para a Santa Casa de Avaré e dois para o Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - um homem de 26 anos e uma mulher que ainda não foi identificada, que estão em estado grave e com intubação.

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"Estamos apurando os fatos e nossa preocupação é identificar todos os corpos. A gente está se adequando dentro dos recursos que possui para possibilitar um conforto para as famílias e a identificação mais célere possível para que possam prestar uma última homenagem levando em consideração a nossa situação de covid", afirma a delegada.

Municípios próximos ao local do acidente agiram para ajudar no resgate dos feridos. "Duas vítimas que chegaram aqui foram encaminhadas para a unidade de referência em Avaré. A gente precisou remanejar as ambulâncias, porque alguns pacientes estavam com procedimentos agendados, mas a união foi muito importante para fazer o socorro das vítimas", relata Regiane Silva de Medeiros, coordenadora de Saúde de Fartura.

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Coordenador da Defesa Civil de Taquarituba, Vagno Aparecido da Costa conta que o município recebeu seis vítimas do acidente, mas três não resistiram aos ferimentos. Duas foram transferidas. "Uma está em estado estável na Santa Casa de Taquarituba. Foi um acidente grave, com pessoas presas nas ferragens. A maioria das vítimas é de Itaí, porque o ônibus pegava pessoas de lá, passava por Taquarituba e levava para Taguaí."

A vereadora e professora Florenice Brás, de 58 anos, que mora em Taquarituba, diz que o acidente preocupou moradores da cidade, que temiam que algum conhecido estivesse entre as vítimas. "É muito triste. Cancelamos as aulas online, porque ninguém ia conseguir acompanhar. Tem bastante jovem que, por estar tendo aulas online, estava fazendo bico nas fábricas para ajudar no sustento da família. Tem gente sabendo de primo, de amigos, mas ainda estamos em busca de nomes."

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