São Paulo "Artista de rua não é bandido", diz músico agredido no Metrô de SP

"Artista de rua não é bandido", diz músico agredido no Metrô de SP

Vídeo da agressão de Yuri Fernandes Freire, conhecido como Dunk, viralizou nas redes e mostra o músico já no chão com seguranças ao seu redor

  • São Paulo | Mariana Morello*, do R7

Yuri Fernandes Freire da Silva, um artista conhecido como Dunk, estava na plataforma da estação Brás, da Linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo quando foi agredido por um grupo de seguranças, por volta das 12h, na sexta-feira (16).

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A agressão foi gravada em um vídeo que viralizou nas redes sociais, gerando indignação nos usuários. Nas imagens, o músico aparece debruçado no chão com quatro seguranças em cima dele. O homem teve um corte na boca, machucou o olho, o supercílio e a perna.  

Yuri foi agredido na tarde da sexta-feira (16)

Yuri foi agredido na tarde da sexta-feira (16)

Reprodução/Redes sociais

Dunk nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e trabalha como artista independente no Metrô de SP há três anos e meio. Em entrevista para o Portal R7, o músico contou que foi abordado por dois seguranças que estavam fazendo a apreensão da mercadoria de um vendedor ambulante. 

Os seguranças pediram para que o músico e seu amigo, identificado como Kauan, que também é artista, se retirassem da plataforma. Yuri confirma que resistiu à abordagem, porque não estava cantando e não achou justa a situação. Foi então que os agentes tentaram retirá-lo à força do local e as agressões começaram.

Yuri conta que, após as agressões, foi encaminhado a uma sala e depois direcionado à polícia. De acordo com o músico, ele ficou cerca de 10h no local sem receber nenhum atendimento médico. "Fiquei do jeito que estava, todo cheio de sangue", lamenta. 

No domingo, Dunk postou, em seu perfil no Instagram, um vídeo contando sobre o caso. De acordo com o músico, ele o amigo haviam acabado de sair de um vagão e estavam na plataforma esperando um outro chegar para dar sequência às performances, quando foram abordados. "A gente tava parado (sic) sem fazer nada, sem tocar", explica.

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Ainda segundo a vítima, a informação de que os seguranças estavam atendendo a uma denúncia é falsa. "Não foi denuncia porque o cara que estava lá, os dois seguranças, estavam apreendendo uma mercadoria e eles simplesmente vieram até a gente e aconteceu o que aconteceu", conta. 

Em um apelo, o músico pediu para os usuários do metrô que encontrarem artistas performando, filmaram e usarem a hashtag #euapoioartenometro. "Artista de rua não é bandido! Isso não é se vitimizar! É lutar pela arte, pelo nosso sonho, por pessoas que também já passaram a mesma coisa e não conseguiu (sic) ter a visibilidade que merece!", diz Dunk.

Contatado, o Metrô de São Paulo não se posicionou sobre o caso até a publicação desta nota. 

*Estagiária do R7 sob supervisão de Ingrid Alfaya

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