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São Paulo Artistas se unem para arrecadar fundos para ações na Cracolândia

Artistas se unem para arrecadar fundos para ações na Cracolândia

Recursos arrecadados serão divididos entre um fundo para apoiar ações emergenciais na Cracolândia e outro para ser repartido entre os artistas

  • São Paulo | Da Agência Brasil

Cracolândia é marcada por confrontos entre usuários de drogas e a polícia

Cracolândia é marcada por confrontos entre usuários de drogas e a polícia

WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma iniciativa reúne 30 artistas de diversas linguagens e condições sociais (dormindo na calçada ou em casa) com a proposta de gerar uma economia colaborativa por meio da venda de seus trabalhos. Birico é o nome da ação que reúne artistas que vivem na região da Cracolândia e aqueles que têm trabalhos que passam por aquele território ou colaboraram de alguma forma para fortalecer a luta diária de quem tem menos condições econômicas e estão expostos à violência das ruas.

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O projeto traz em pé de igualdade trabalhos de quem expõe em grandes museus e galerias e obras que circularam em carroças de materiais recicláveis. Essa reunião de artistas busca formas de apoiar quem vive nesse território estigmatizado, neste momento em que a pandemia acentua as vulnerabilidades e impede a renda com produção artística.

A proposta é criar dois fundos com a venda de pôsteres e impressões de tiragem limitada a preços acessíveis. Os recursos arrecadados serão divididos igualmente entre um fundo para apoiar ações emergenciais na Cracolândia e outro para ser repartido igualmente entre artistas que se envolverem com o projeto.

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O Fundo da Cracolândia é para ajudar os coletivos que estão no território e continuam com suas ações. Hoje, os coletivos Tem Sentimento, Pagode na Lata e Cia Mugunzá de Teatro estão distribuindo marmitas diariamente, além de máscaras e kits de higiene. Sabendo que a pandemia não acaba agora, os coletivos pretendem continuar a distribuir itens básicos de sobrevivência à pandemia.

O Fundo para Artistas será dividido igualmente entre todas as pessoas que participam do projeto, independentemente das vendas individuais ou do valor de mercado dos trabalhos. A intenção é não haver nenhuma forma de competição, mas fortalecer quem produz arte e não consegue a visibilidade merecida por estar em situação de vulnerabilidade. Uma cooperativa, onde todas as partes se fortalecem.

As obras e os artistas podem ser vistos na página do projeto no Instagram   e o catálogo está disponível neste site.

Arte de rua

Uma das artistas participantes do projeto é Lau Guimarães. Além de artista de rua ela é roteirista e poeta. “É uma honra trabalhar com artistas que trabalham muito na linha de frente, na rua, no acolhimento. É um lugar [Cracolândia] que também trabalho há um tempo e seguir trabalhando num momento desse de fragilidade, que o país inteiro está frágil, imagina como estão as pessoas ali, é um momento que elas precisam e é um lugar para gente se responsabilizar como sociedade”. 

A artista espera que a iniciativa seja uma chance para chamar a atenção da sociedade para as pessoas e para os artistas da Cracolândia. “Espero que o projeto seja uma oportunidade para que as pessoas possam olhar de uma forma mais carinhosa para aquela região, para as histórias das pessoas que moram ali”.

Outro artista que participa é o Cleiton Ferreira, ou apenas Dentinho. Ele frequentou o fluxo da Cracolândia por anos, até ser incluso no Programa de Braços Abertos, onde teve contato com as práticas de pintura e começou a morar nos hotéis sociais, onde vive até hoje. Ele acredita que a iniciativa vai ajudar artistas e quem está nas ruas.

“A iniciativa Birico mostra que é possível evoluir, se socializar. Estamos ajudando os coletivos a fazer um trabalho social que o estado não faz, não vê”. Para ele, a arte salva e diminui os danos. “A arte e a cultura inovam a vida das pessoas e inovam o crescimento e sentimento de uma sociedade. A arte dá um incentivo, a arte me salva. Quando saiu o Projeto Braços Abertos entrei em oficinas de artes e comecei a soltar minha brisa na parede, eu comecei a fazer vários tipos de artes plásticas, gosto do rústico, do urbano, do lixo. Sou o artista que vê o que ninguém vê na via, que transforma o lixo no luxo”.

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