São Paulo Ataque em escola, déficit bilionário e concessão: os 100 dias de Doria

Ataque em escola, déficit bilionário e concessão: os 100 dias de Doria

Governador de São Paulo completa, nesta quarta-feira (10), três meses e 10 dias à frente do cargo. Mandato, caso seja cumprido até o final, irá até 2022

  • São Paulo | Plínio Aguiar, do R7

João Doria (PSDB) completa 100 dias à frente do governo de São Paulo

João Doria (PSDB) completa 100 dias à frente do governo de São Paulo

Adriana Spaca / Estadão Conteúdo / 18.01.2019

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), completa 100 dias à frente do cargo nesta quarta-feira (10) e mantém o tripé de sua campanha: descentralização, responsabilidade fiscal e enxugamento da máquina pública. O tucano avalia São Paulo como um “Estado de respeito” e que possui “ritmo diferente” se comparado aos outros governos, mas enfrentou massacre em escola com dez mortos, polêmica envolvendo corte na área da Cultura e caixa orçamentário com déficit bilionário.

As principais ações entregues no primeiro trimestre deste ano foram nas áreas de saúde, educação e segurança pública, segundo balanço divulgado pelo governo nesta quarta. O Estado de São Paulo terá um déficit no orçamento de R$ 10,5 bilhões, e desde janeiro estão congelados R$ 5,7 bilhões em gastos, divididos entre custeio e investimento.

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Na área de segurança, uma das promessas de campanha de Doria, o combate ao crime organizado, ocorreu em fevereiro com a transferência de 22 líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para presídios federais — medida essa que Doria avalia que o “governo antecessor, do socialista Márcio França (PSB), não conseguiu fazer por causa de medo”. França assumiu o cargo de governador após Geraldo Alckmin (PSDB) sair para a disputa da Presidência da República, a qual perdeu para Jair Bolsonaro (PSL). “Eu transferi e não aconteceu nada com a população nem com o Estado”, disse Doria sobre possíveis retaliações da facção.

O tucano comentou sobre a entrega de quatro Batalhões de Ações Especiais, os BAEPs, em Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto e no centro da capital. A proteção às mulheres vítimas de violência foi ampliada, e hoje conta com 10 Delegacias da Mulher abertas 24 horas por dia, na capital, litoral e interior do Estado, além do aplicativo SOS Mulher, que por meio de um único toque a polícia é acionada.

Na área da saúde, a atuação do programa Corujão da Saúde nas regiões de Campinas, Vale do Paraíba e Grande São Paulo. Na educação, 20 novas creches foram cedidas ao ensino infantil, além da oferta de aulas no contraturno das universidades para alunos do ensino médio.

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Carro-chefe da gestão, os programas de concessão à iniciativa privada também foram lançados durante o primeiro trimestre. No total, são 220 projetos de desestatização em quatro áreas: transporte, indústria, meio ambiente e aeroportos. Entre eles: marginais Tietê e Pinheiros, Zoológico e Jardim Botânico, Ginásio do Ibirapuera, rodovias entre Piracicaba e Panorama e PPP (Parceria Público-Privada) dos presídios.

Uma das grandes vitórias do governador se deu na área econômica do Estado. A empresa GM (General Motors) anunciou que poderia fechar as portas de sua fábrica, localizada em São Bernardo do Campo, caso não voltasse a ter lucro. Após acordo com Doria, o presidente da GM na América Latina, Carlos Zarlenga, anunciou que a montadora irá investir, entre 2020 e 2024, R$ 10 bilhões.  O tucano, por sua vez, disse que os investimentos vão preservar 15 mil empregos e criar outros 1,2 mil postos, sendo 400 diretos e 800 indiretos.

Massacre

Durante o primeiro trimestre, Doria enfrentou o que chamou de “cena mais triste de sua vida”. No dia 13 de março, dois adolescentes entraram na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, e mataram oito pessoas, entre elas cinco estudantes e duas funcionárias.

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Segundo a Polícia Civil, a falta de reconhecimento na comunidade teria motivado o ataque. O delegado-geral, Ruy Ferraz Fontes, comentou que o planejamento de todo o crime teria começado em novembro. O órgão afirmou que três pessoas estiveram envolvidas no crime – Guilherme Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, que se suicidaram após o ataque, e outro menor adolescente.

Os alunos sobreviventes estão recebendo, desde o massacre, apoio de psicólogos, assim como professores e funcionários. A escola, por sua vez, passou por uma pintura nova.

Polêmica

A mais recente polêmica de Doria está atrelada à área da Cultura. Por causa do déficit bilionário do Estado, o tucano suspendeu R$ 150 milhões que seriam destinados a pasta. O programa Projeto Guri é o mais afetado: foram concedidos para a manutenção a quantia anual de R$ 94,7 milhões, no entanto, R$ 20 milhões haviam sido contingenciados.

Segundo a Abraosc (Associação Brasileira das Organizações de Cultura), a suspensão da quantia poderia provocar fechamento de vagas de alunos, demissão de funcionários, cancelamentos de exposições, fim de projetos pedagógicos, entre outros.

Organizações sociais que administram as casas que o Projeto Guri investe havia emitido alerta sobre possível demissão. Após a exposição da situação, Doria voltou atrás e disse que a Cultura não irá ter nenhum corte. “Essa é uma decisão do governador e quem manda é o governador”, afirmou, garantindo que “nenhum professor será demitido, e nenhum aluno perderá direito”.

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