São Paulo Buracos e carros submersos: zona leste de SP sofre com enchentes

Buracos e carros submersos: zona leste de SP sofre com enchentes

Moradores do Itaim Paulista, às margens do rio Tietê, relatam prejuízos causados pelas fortes chuvas e enchentes dos últimos dias

  • São Paulo | Guilherme Padin, do R7

Na água, garotos aguardam para guiar motoristas por caminho mais seguro

Na água, garotos aguardam para guiar motoristas por caminho mais seguro

Edu Garcia/R7

As fortes chuvas do início de 2019 atrapalharam a vida da população das periferias de São Paulo. No Itaim Paulista, zona leste da capital, a reportagem do R7 ouviu moradores da região, que relataram os prejuízos causados pelas enchentes e apontaram descaso das autoridades.

Elcio Batista afirma que os pontos de alagamento sempre foram um problema recorrente. Mas, depois da construção de uma ponte na Vila Itaim, a situação piorou: "[A construção] foi há uns quatro ou cinco anos. Fizeram a manilha abaixo do nível do rio. E, depois disso, toda vez que chove acontece isso aí (enchentes), enche a rua... A água não baixa de jeito nenhum", relata o motorista de ônibus.

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Há 10 anos vivendo na Vila Itaim, em uma casa ao lado da ponte, Márcio de Souza conta o sofrimento vivido com as chuvas. "Antes da ponte, entrava água pelos fundos. Aí eu construí um aterro que segurou as pontas por aqui. Mas, de uns cinco anos para cá, começou a entrar pela frente. Tive que subir um murinho na porta de casa, mas ainda entra água pelo banheiro e pelo quarto", lamenta o ajudante geral.

O jovem Felipe Moraes, ambulante nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), diz que a "solução das autoridades nunca chega. Atrapalha a molecada que quer estudar, o pessoal que vai trabalhar. Atrapalha todo mundo". Batista e Souza compartilham da mesma opinião do rapaz de 22 anos.

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"A prefeitura [de São Paulo] não faz nada. Já vieram prefeitos antes, mas não resolviam. Os de hoje em dia, então, eu nem vejo a cara", afirma o motorista de ônibus. O ajudante geral acredita que é "difícil que eles (autoridades) apareçam para fazer alguma coisa. A gente passa por isso faz muito tempo".

Ga​rotos se aproveitam da enchente para ganhar dinheiro

Alagamento em avenida se tornou espécie oportunidade para os jovens

Alagamento em avenida se tornou espécie oportunidade para os jovens

Edu Garcia/R7

O nível da água sobe, os buracos da rua somem da vista e os garotos da Vila Itaim lucram. Ao longo da alagada Avenida Brás da Rocha Cardoso, os jovens do bairro viram uma oportunidade para ganhar dinheiro com a situação adversa.

Os motoristas mais desavisados viam as placas dianteiras de seus automóveis irem para baixo d’água. Assim, os adolescentes as encontravam e vendiam por preços que dependiam do desespero de quem as perdia: variavam de 20 a 40 reais, chegando, às vezes, a até R$ 50.

Em média, o valor de uma placa dianteira pode ir de R$ 67 a R$ 90. Além disso, os garotos se propuseram a guiar os motoristas pelos melhores caminhos, que não causassem danos aos carros. Eles cobravam por este serviço, que também tinha valores variados.

Washington Luís, motorista de caminhão, perdeu sua placa ao passar por um buraco. “Ficou na água e a molecada está cobrando. Tem que pagar, né?”, diz ele.

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Morador do bairro, Felipe Moraes, 22, afirma que esta é uma prática comum entre os jovens em momentos de enchente. Vendedor ambulante nos trens da CPTM, ele perdeu mais um dia de trabalho.

“Não consegui ir trabalhar. Já perdi cinco dias por essa enchente”, conta ele, que completa: “Aí a gente fica pegando e pede dinheiro para as pessoas”.

Outro lado

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo afirma que está investindo R$ 117 milhões na construção do pôlder da Vila Itaim para minimizar o impacto das chuvas na região. 

A obra, segundo o comunicado, é prioridade da atual gestão e tem previsão de entrega no final deste ano. As desapropriações de 145 imóveis começaram em dezembro 2017 e parte foi judicializada, o que atrasou as remoções. Até o momento, 55% dos trabalhos foram concluídos. Seis bombas móveis cedidas pelo DAEE estão no local auxiliando os trabalhos de drenagem.

O Governo afirma ainda que o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) tem atuado em parceria com a Subprefeitura de São Miguel Paulista da Prefeitura Municipal de São Paulo, com execução de limpeza nas bocas-de-lobo, nas redes de drenagem e no estabelecimento de plano de contingência.

A Prefeitura de São Paulo, em nota, afirma que a Subprefeitura São Miguel realiza constantemente ações de manutenção e zeladoria na Vila Itaim. As equipes, segundo o comunicado, trabalham diariamente com dois caminhões sugadores, além de seis bombas disponibilizadas pelo Departamento de Água e Energia (DAEE), devido ao alagamento.

A Prefeitura ainda diz que, em média, são recolhidas cerca de 5 toneladas de resíduos por semana durante o período da chuva, com os trabalhos começando às 7h e terminando às 18h.

A nota ressalta que a Defesa Civil do Munícipio de São Paulo realiza o monitoramento das ações na região e auxilia no transporte diário das crianças para as creches.

De acordo com o comunicado, desde o início deste ano a Vila Itaim recebe reforço de limpeza e varrição.

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