Novo Coronavírus

São Paulo Butantan negocia compra de mais 20 milhões de doses da CoronaVac

Butantan negocia compra de mais 20 milhões de doses da CoronaVac

Até setembro, São Paulo já tem acordo com laboratório chinês Sinovac para conseguir 100 milhões de aplicações da vacina

Reuters - Brasil

Resumindo a Notícia

  • Até setembro, SP já negociou e deverá receber insumos para um total de 100 mi de doses
  • Butantan requisita agora mais 20 milhões de aplicações, que seriam enviadas até 2022
  • Governo federal já comprou de SP 46 mi de doses e promete acertar aquisição de mais 54 mi
  • SP ameaça não repassar mais doses ao Ministério da Saúde por calote no pagamento
Cidade de São Paulo começou a vacinar idosos com mais de 90 anos nesta sexta (5)

Cidade de São Paulo começou a vacinar idosos com mais de 90 anos nesta sexta (5)

Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress - 05.02.2021

O Instituto Butantan negocia a compra de mais 20 milhões de doses da vacina contra covid-19 CoronaVac com o laboratório chinês Sinovac, além das 100 milhões já acordadas para entrega até setembro, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Eu autorizei o doutor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, para que fizesse um pedido de compra de mais 20 milhões de doses da vacina à Sinovac, além das 100 milhões já demandadas", disse Doria na entrevista, concedida na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, na quinta-feira (4).

O Butantan fechou contrato com o Ministério da Saúde para entrega até abril de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina que foi testada no Brasil pelo instituto ligado ao governo paulista, e aguarda para esta semana a assinatura do contrato de confirmação da opção de compra pelo ministério de mais 54 milhões de doses até setembro.

A vacina vem sendo envasada no Butantan após o recebimento do IFA (insumo farmacêutico ativo) importado da China. Uma nova fábrica está sendo construída para a produção completa da vacina pelo Butantan, que deve iniciar a fabricação em escala a partir de janeiro.

Os 20 milhões de doses adicionais atualmente em negociação atenderiam este período entre setembro e janeiro. Doria manifestou confiança de que a aquisição será concretizada.

"Está na etapa de negociação, mas o laboratório Sinovac tem sido um bom parceiro, muito correto e muito solidário às nossas necessidades aqui do Brasil, e não tenho dúvida nenhuma de que nos atenderá nessa solicitação", afirmou o governador.

Depois de um atraso na entrega dos insumos da CoronaVac, o Butantan recebeu na noite de quarta-feira (3) o IFA para o envase de 8,6 milhões de doses da vacina, com entrega prevista a partir do dia 25. Na próxima semana, também na quarta-feira (10), deve chegar ao Brasil um novo lote de insumos, dessa vez para a produção de mais 8,7 milhões de doses do imunizante.

Doria disse que as negociações para a liberação dos insumos pelo governo chinês foram feitas pelo governo paulista, que tem um escritório de representação em Xangai, com o apoio da embaixada da China no Brasil.

O governador disse que a representação do governo federal em Pequim não participou das tratativas, embora tenha declarado que mantém boa relação com a embaixada brasileira na China. Ele disse ainda que as futuras importações de insumos da Sinovac para o Butantan agora devem ser "constantes".

"Muito provavelmente recebermos lotes de vacinas semanalmente, ou na pior das hipóteses a cada 10 dias", disse o governador.

Prazo de pagamento

Butantan vende cada dose por US$ 10,30 ao Ministério da Saúde

Butantan vende cada dose por US$ 10,30 ao Ministério da Saúde

Rodolfo Buhrer/Reuters - 28.01.2021

De acordo com o governador, até o momento o Ministério da Saúde ainda não pagou pelas 8,7 milhões de doses da CoronaVac já entregues pelo Butantan, apesar de o presidente Jair Bolsonaro, desafeto político de Doria, ter assinado uma medida provisória que destina R$ 20 bilhões para a compra de vacinas contra covid-19.

O Butantan está vendendo a dose da CoronaVac ao Ministério da Saúde por US$ 10,30 (R$ 56). O contrato inicial do instituto com a Sinovac, que previa a entrega de 6 milhões de doses prontas e 40 milhões em insumos, além da transferência de tecnologia, foi de US$ 90 milhões (R$ 490 milhões).

"Ainda não recebemos. E há um prazo a ser cumprido. Até o final deste mês de fevereiro, portanto até 28 de fevereiro, o governo deve cumprir o pagamento das doses que já recebeu. Se não o fizer, não receberá mais doses da vacina do Butantan", disse Doria.

"Aí voltamos àquelas prerrogativas dos governos estaduais. Não havendo compra pelo governo federal, os governos estaduais farão essa compra para a imunização das suas populações. Mas isso de certa forma quebra o pacto federativo, porque sempre foi o governo federal que fez a aquisição de vacinas... Seria uma lástima quebrar mais essa referência do Programa Nacional de Imunização", afirmou o tucano.

Doria repetiu o ultimato que deu ao ministério recentemente apontando que, caso o contrato para o lote adicional de 54 milhões de doses não seja assinado até esta sexta, o Butantan venderá a vacina diretamente aos Estados. A pasta disse que assinaria o acordo nesta semana.

Além das doses da CoronaVac entregues pelo Butantan, o ministério tem, até o momento, 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford no Programa Nacional de Imunização.

Nesta quinta, o ministério disse que espera para sábado a chegada de insumos da China aguardados desde janeiro para o início do envase da vacina da AstraZeneca pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Indagado sobre o ritmo de vacinação em São Paulo - até a noite de quinta cerca de 660 mil pessoas haviam sido vacinadas no Estado, o que significa um percentual menor da população do que em outros Estados - Doria reconheceu que "é possível acelerar" a imunização contra a Covid-19.

"Eu determinei à área de imunização que acelerasse esse processo, dado ao fato de que nós agora estamos seguros que o Instituto Butantan receberá semanalmente doses da vacina para poder atender à necessidade da população do Estado de São Paulo", encerrou.

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