São Paulo Caso Cássia: o que se sabe sobre morte de contadora em SP

Caso Cássia: o que se sabe sobre morte de contadora em SP

Vítima foi encontrada desacordada em casa com rosto desfigurado. Carro dela foi depredado por jovens que dizem ter recebido dinheiro de uma vizinha

  • São Paulo | Do R7

Cássia foi encontrada desacordada dentro de casa

Cássia foi encontrada desacordada dentro de casa

Reprodução/Record TV

A políica de São Paulo investiga há três semanas o assassinato da contadora Cássia Regina de Jesus, de 44 anos, encontrada desacordada dentro de casa, na zona sul de São Paulo, na segunda-feira, dia 14 de setembro.

Cássia foi estrangulada e, em seguida, sofreu ferimentos profundos que deixaram seu rosto desfigurado. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Tudo indica que o crime ocorreu na noite de domingo, dia 13 de setembro. Não se sabe por quanto tempo ela ficou abandonada no local.

Carro depredado

Poucos depois do episódio, na madrugada de quarta-feira, dia 15, o carro da vítima foi apedrejado por quatro jovens. Eles contaram que, para atacar o veículo, receberam dinheiro de uma inquilina de Cássia, Mari, que também era vizinha da vítima. Ela nega.

Mari e João, que prestava serviços de pedreiro para Cássia, prestaram depoimento sobre o caso no 80º Distrito Policial, na Vila Joaniza, zona sul da capital, na semana passada, na condição de testemunhas. Só deixaram o local após 11 horas de interrogatório. 

Os dois passaram a morar juntos em uma casa no bairro de Parelheiros, a quase 40 km do local do crime, depois da morte de Cássia. Mari já havia morado no imóvel antes de se tornar vizinha da contadora.  

Proprietária e inquilina

Cássia e Mari dividiam o mesmo quintal. Cássia era a dona do imóvel e Mari, a inquilina, que já havia pago um ano de aluguel adiantado, mas foi embora após o crime.

Mari sustenta a versão de que Cássia seria uma pessoa de difícil convivência. Antes de Mari morar no local, quem ocupava o imóvel era Cátia, irmã da vítima. Segundo a inquilina, no entanto, Cátia decidiu deixar o local por problemas de convivência com a Cássia.

Mensagens suspeitas

Mari aponta suspeita sobre um outro pedreiro que prestava serviço para Cássia, chamado Gil. Ela conta que a contadora reclamou com ele de um serviço que estava atrasado.

A irmã de Cássia, no entanto, alega que Gil é amigo da família e que iria na casa de Cássia na segunda-feira, mas recebeu mensagens da contadora no domingo, dia 12, à noite, pedindo para que só fosse na terça, dia 14. Nas mensagens enviadas pelo celular de Cássia, a contadora diz que sairia com amigos e ia dormir até mais tarde.

Gil prestou depoimento por iniciativa própria. Ele não acredita que tenha sido Cássia quem enviou as mensagens, porque haviam combinado o serviço um dia antes, no sábado, 11 de setembro. Além disso, a linguagem das mensagens era chula. Em uma delas, o texto registra os termos "bagaça" e idiota'. Gil diz também que nunca teve acesso às chaves da casa de Cássia.

A irmã da vítima também acredita que outra pessoa usou o aparelho para enviar as mensagens para Gil. Ela suspeita do envolvimento de Mari no caso. "Pra mim é muito difícil tentar entender o real motivo de tudo isso em tão pouquíssimo tempo que ela ficou ali. Esse ódio que ela pegou, essa raiva", diz Cátia, sobre Mari.

Vizinhos e amigos apresentam suspeitas sobre a mudança repentina da inquilina logo após o crime. "Por que que ela mudou? Quem não deve não teme", questiona uma moradora da região que prefere não se identificar.

De acordo com testemunhas ouvidas pelo Cidade Alerta, da Record TV, as vizinhas não tinham bom relacionamento.

Amigos e parentes dizem que Cássia não costumava ter desafetos. "Nunca teve inimizade com ninguém, era mto trabalhadeira, muito familia. Os amigos que tinha na infância sempre conservou, sempre cuidou", conta Rosangela Leandro de Araújo, amiga da vítima. 

Descoberta do crime

O corpo desacordado de Cássia foi descoberto por causa de uma colega de trabalho. A contadora trabalhava em uma empresa de auditoria em uma região nobre de São Paulo. Por conta da pandemia, passou a fazer o serviço de casa. Na segunda-feira, dia 13, no entanto, não apareceu. Não respondeu mensagens, nem atendeu ligações. Às 12h, uma colega foi à casa dela. 

Ao chegar ao local, chamou por Cássia. Quem apareceu no quintal foi Mari, que não quis abrir o portão para que ela entrasse e também se negou a subir para ver se Cássia estava no local. Uma sobrinha de Cássia também apareceu, mas Mari insistiu que ninguém entraria na casa. Ela só liberou o acesso após receber uma ligação de Cátia, irmã da vítima. Quando a colega e a sobrinha subiram, viram Cássia desacordada e uma cena de horror. Testemunhas ouvidas pelo Cidade Alerta dizem que Mari, no entanto, não demonstrou preocupação.

Uma outra vizinha, que entrou junto na casa, se apavorou com a cena do crime e se assustou com a falta de reação de Mari. "Ela estava com uma cara muito cínica, sabe uma pessoa que deve? Eu suspeitei. Falei 'moça você não escutou nada?' ela falou 'não escutei nada", conta a vizinha Emanuelli Souza.

Câmeras de monitoramento

Homem é visto indo em direção à casa de Cássia, às 23h18

Homem é visto indo em direção à casa de Cássia, às 23h18

Reprodução/Record TV

Imagens de câmera de monitoramento da região, exibidas pelo Cidade Alerta nesta segunda-feira (5), podem ajudar a esclarecer o crime.

Um homem suspeito aparece andando tranquilamento pela rua às 23h18 de domingo, dia 12, a noite em que tudo indica em que Cássia foi morta.

Com as duas mãos, o homem segura uma caixa pesada que, supostamente, leva até a casa da contadora.

Câmera mostra homem voltando da casa de Cássia

Câmera mostra homem voltando da casa de Cássia

Reprodução/Record TV

Uma outra câmera de monitoramento, que até então era a única pista da polícia mostra o homem entrando na casa de Cássia. Ele não precisa pular a grade porque tem a chave do portão.

Cerca de 1h30 depois, a 00h40 de segunda-feira, dia 14, o homem suspeito é visto novamente, supostamente voltando da casa da vítima, aparentemente com outra roupa, carregando o que parece ser uma mochila leve. As imagens estão sendo analisadas pela polícia. Policiais também aguardam resultados de laudos, provas técnicas imprescindíveis para que haja um pedido de prisão.

Assista a todos os vídeos sobre o caso:

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