Novo Coronavírus

São Paulo Ceagesp: funcionários ligam mortes por covid-19 a falta de cuidados 

Ceagesp: funcionários ligam mortes por covid-19 a falta de cuidados 

Denunciantes apontam falta de fiscalização do uso de máscaras e lavatórios longe dos locais de trabalho. Administração alega ter plano de contingência

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Funcionários apontam falta de fiscalização do uso de máscaras na Ceagesp

Funcionários apontam falta de fiscalização do uso de máscaras na Ceagesp

NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO - 28.03.2020

Funcionários da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) reclamam da falta de cuidados contra a disseminação do novo coronavírus. Eles alegam estar com medo de serem contaminados e relacionam a falta de medidas aos casos confirmados de mortes por covid-19 de trabalhadores do local.

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“Que eu conheço, 12 mortos confirmados”, diz uma denunciante à Record TV. “Mais de 15”, diz outra. Imagens feitas por celular explicam o medo. Carregadores circulam com máscaras no queixo, ou simplesmente não usam a proteção. Em média, 50 mil pessoas por dia circulam pela área de 700 mil m² da Ceagesp, que é o maior centro de distribuição de alimentos frescos e flores da América Latina.

Segundo uma funcionária que prefere não se identificar, os lavatórios ficam distantes dos locais de trabalho e é preciso escolher entre trabalhar e manter a higiene. “Não tem como lavar as mãos. Dependendo do local, dá uns 30 minutos de distância”, diz.

Relatos de funcionários indicam que a falta de cuidados contra o novo coronavírus é ainda maior durante a madrugada, quando há menos movimento.

Na chegada, porteiros com borrifadores oferecem produto para higienizar a mão dos motoristas. Há também faixas que indicam a necessidade do uso de máscaras durante todo o tempo de permanência. O problema é que, uma vez dentro do entreposto, muita gente não está se protegendo. “Não está tendo fiscalização nenhuma. Todo mundo entra, sai, quando quer, sem proteção”

A Ceagesp esclarece que não tem conhecimento de trabalhadores vinculados a ela com covid-19, ao contrário do que dizem os denunciantes. Também alega que não tem acesso à rotina de vida dos frequentadores do complexo ou dos postos onde são atendidos. Por isso, não possui estatísticas seguras sobre a doença. O entreposto afirma, no entanto, que “diante destas informações, nos esforçaremos no sentido de confirmar a veracidade das mortes e sua relação com a COVID-19”.

A companhia informa também que, desde o início de março, ativou um plano de contingência para prevenir a contaminação, seguindo orientações dos principais órgãos de saúde. O plano inclui ações de conscientização sobre a importância da prevenção, obrigatoriedade de máscaras, pias extras com água e sabão e pulverização dos pavilhões com hipoclorito de sódio.

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