Com desperdício e "gatos", São Paulo perde 1/3 da água de reservatórios por ano

Sistema Cantareira está com 23% de sua capacidade, menor nível da última década

O sistema Cantareira é a principal fonte de abastecimento de água das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas

O sistema Cantareira é a principal fonte de abastecimento de água das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas

Reprodução/Sistema Ambiental Paulista/Governo do Estado

Uma pesquisa feita pelo Instituto Trata Brasil em 2011 mostra que a capital paulista perde, em média, 36% de sua água de abastecimento por ano, um dos principais motivos que levam ao esvaziamento das reservas. De acordo com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), esse número teve uma ligeira queda e hoje está em torno de 30%.

A perda está relacionada ao consumo não autorizado, conhecido como "gato", erros de medição e vazamentos de forma geral. Para o presidente-executivo do instituto, Edison Carlos, existe um problema gravíssimo de perda de água no Brasil todo.

— No caso de São Paulo, o problema é que é muito grande, então para você detectar esses vazamentos é mais complexo. São Paulo tem também muitas áreas irregulares, onde você não tem controle, muitas vezes a água é furtada da rede oficial, não se sabe quanto se perde nessas áreas. O cidadão que não paga pela água tende a desperdiçar muito mais.

De acordo com Carlos, cada paulistano consome cerca de 180 l de água por dia, podendo chegar a 400 l. Ele afirma que, no caso do cidadão que usa a água irregularmente, o consumo pode ser até três vezes maior do que aquele que paga pelo serviço.

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Com o pior nível de armazenamento dos últimos dez anos, os reservatórios do Sistema Cantareira — principal fonte de abastecimento de água das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas — estão operando com 22,9% de sua capacidade. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira (30) que a Sabesp deve entregar "em três ou quatro dias" uma proposta para solucionar a questão de abastecimento.

A coordenadora da rede de águas da ONG SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, destaca que a meta da companhia é reduzir a perda para que o valor fique entre 20% e 24%. Segundo ela, os 30% de água que são perdidos em São Paulo seriam suficientes para abastecer a cidade de Curitiba.

— Então precisa ficar muito atento no nosso relógio, na nossa conta de água, para ver se está tendo um vazamento ou não. A sociedade tem que denunciar quando acontece isso. O cidadão pode ser o fiscal.

O levantamento do Instituto Trata Brasil mostra também que, das dez cidades com maior perda de água do País — entre as cem maiores —, oito são municípios de São Paulo, entre eles: Jundiaí, Limeira, Sorocaba, Franca, São José dos Campos, Santos e Ribeirão Preto. Uberlândia (MG) lidera e Maringá (PR) e Curitiba (PR) completam a lista.

O presidente do instituto criticou, ainda, o excesso de dependência do regime de chuvas.

— Nós temos sistema de captação superficial, por reservatório, por rio, por lagoa, que é muito dependente da chuva. Eu diria o seguinte: a gente está vivendo um momento crítico que deve ser combatido, desde acelerar as ações de redução de perda até a fundamental participação da população. Nesse momento, a gente depende das pessoas usarem com mais critério a água.

*Colaborou Thiago Pássaro, estagiário do R7

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