São Paulo Com salários atrasados, médicos de Osasco farão greve nesta segunda

Com salários atrasados, médicos de Osasco farão greve nesta segunda

Denúncia feita ao R7 aponta má gestão de terceirizada, dois meses de atraso, sobrecarga de trabalho e falta de profissionais

Resumindo a Notícia

  • Médicos de Osasco (SP) estão há mais de dois meses sem receber salários de dezembro
  • Denúncia aponta má gestão de terceirizada, sobrecarga de trabalho e falta de profissionais
  • Segundo denunciante, situação se agravou recentemente após mudança de empresa
  • Funcionários farão paralisação nesta segunda-feira (8)
Faltam ginecologistas em 14 UBSs da cidade

Faltam ginecologistas em 14 UBSs da cidade

Reprodução/Google Street View

Há dois meses sem saber seus salários, médicos de Osasco, na Grande São Paulo, marcaram uma paralisação para esta segunda-feira (8). São esperados mais de 80 profissionais no ato, que começará às 7h. Além das reivindicações pelo pagamento dos salários de dezembro e por melhores condições empregatícias, eles denunciam a má gestão da empresa terceirizada contratada pela prefeitura e responsável pelos pagamentos de seus salários.

Um médico que atua em Osasco e participará da manifestação conversou com a reportagem do R7 sob condição de anonimato e explicou com detalhes a situação de parte dos profissionais da cidade.

Segundo ele, grande parte dos médicos tinha seus contratos sob responsabilidade da empresa Pires & Vanci, que pagava pelos salários somente 60 dias após o fim de cada mês trabalhado, além de manter vínculos precarizados com os profissionais, que recebiam a partir de um processo de associação. Eles recebiam na forma de divisão de lucros, em regime similar ao das organizações de saúde responsáveis pelos hospitais de campanha de São Paulo.

Assim, portanto, os médicos não possuem relação trabalhista com os contratantes e se adoecem, por exemplo, não recebem o pagamento enquanto estão fora do trabalho.

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A situação se agravou recentemente com a saída da Pires & Vanci, que dará lugar a duas novas empresas. A Dermacor será responsável pelas UBSs e policlínicas, enquanto a Medical Corp estará à frente dos serviços de urgência e emergência e maternidade. Com a transição, os funcionários temem levar um calote das empresas, e não sabem se de fato serão pagos.

Além disso, a nova empresa exige que os médicos tenham de abrir um CNPJ próprio e emitam nota, o que na prática significará uma redução no salário líquido, sem reajuste por parte da contratante, até o momento.

“Os médicos estão insatisfeitos com essa forma e querem contratações formais”, relata o denunciante. “A impressão que temos é que nossa situação está sempre na corda bamba. A única garantia que você tem é a palavra do empresário”, conclui.

O R7 fez contato com o Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo), que relatou ter exigido o reajuste salarial à empresa e enviado um ofício para relatar todos os problemas vividos pelos profissionais na cidade, mas não obteve resposta até o momento.

Sobrecarga de trabalho e falta de ginecologistas

Há, ainda, 15 unidades de saúde com menos ginecologistas devido a escalas reduzidas: Cipava, Olaria, Quitaúna, Vila dos Remédios, Maria Pia, 3 Montanhas, Jaguaribe, Veloso, Aliança, Baronesa, Piratininga, Palmares, Padroeira, Portal D’Oeste e Santa Maria.

Em uma das unidades, relata o denunciante, os médicos chegaram nesta sexta-feira (5) ao trabalho e descobriram que há um médico a menos no plantão.

“Então, o que ocorre é que, além da redução de salário e da não garantia de pagamento dos salários atrasados, estão reduzindo as escalas, o que leva a uma sobrecarga de trabalho”, relata o profissional.

Posicionamento

A reportagem enviou um e-mail solicitando um posicionamento à prefeitura de Osasco a respeito das denúncias relatadas. Até o término deste texto, não houve resposta.

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