Comerciantes tiveram de se reinventar para reabrir em SP

Donos de restaurantes e salão de beleza relatam as estratégias adotadas para respeitar as regras impostas pela prefeitura por causa da pandemia 

'O restaurante ficou silencioso. Eu tive de colocar música', diz sócio do Fuad

'O restaurante ficou silencioso. Eu tive de colocar música', diz sócio do Fuad

Reprodução / Google Street View

Com a reabertura ao público autorizada na cidade de São Paulo, comerciantes tiveram de reinventar o próprio negócio para se adaptar às novas regras criadas por causa da pandemia do novo coronavírus. Leia alguns depoimentos. 

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'Tive de reinventar o negócio. Vou trabalhar faturando um terço'

Lucas Furlani, dono de duas franquias do Soho de salão de cabeleireiros

"Hoje abri o salão para alguns atendimentos, mas o dia foi para passar as instruções do protocolo aos funcionários. Tenho equipe grande: são 23 funcionários no salão da Pompeia e 17 no da Vila Leopoldina. Fiz grupos de cinco, em horários alternados, para passar as instruções. A partir de quarta-feira, os salões estarão trabalhando no novo padrão.

Os preparativos foram intensos. A partir de agora, a limpeza será reforçada e todos os dias serão de faxina pesada. Escolhi produtos específicos para limpar os equipamentos, da bancada às cadeiras, pentes e escovas. Comprei capas descartáveis, máscaras luvas e sobretudo álcool em gel, que estão custando mais caro.

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Aumentei o distanciamento entre as estações de trabalho, mantendo o espaçamento de dois metros. O atendimento será com hora marcada. Tive de reinventar o negócio. Analisei todos os gastos e, a partir de agora, vou trabalhar faturando um terço do que faturava. Reduzi as despesas na mesma proporção. Não precisei mandar ninguém embora.

A maior dificuldade tem sido obter crédito. Os recursos não chegaram para os micro e pequenos empreendedores. Tivemos de renegociar aluguéis e também com os fornecedores. Não tivemos apoio nenhum do governo. Isso tudo foi muito triste."

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'Recebemos um pouco menos de clientes que a gente imaginou'

Mikaela Paim, proprietária da Osteria Generale

"Recebemos nesse primeiro dia um pouco menos clientes do que a gente imaginou. Foram 25, um quarto do que poderíamos ter atendido. Acredito que além de ser o primeiro dia, é uma segunda-feira, um dia normalmente fraco. As pessoas estava muito tranquilas, seguras. Muitas paravam na porta e perguntavam o que tinha de fazer para entrar, porque tudo é novidade. Logo na entrada, o garçom tira a temperatura, oferece álcool em gel e confere se a máscara está sendo usada.

Muitos tiveram dúvidas do cardápio, que agora é apresentado no celular por meio da leitura de um QRCode. Outros queriam saber porque não havia azeite na mesa, o que não é mais permitido.

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Um das dificuldades foi o pouco tempo hábil para preparar o restaurante, apenas um dia e meio. O decreto foi assinado pelo prefeito no sábado. Isso é um desrespeito com o setor.

E as informações não estão claras. Por exemplo, além da máscara de pano é preciso usar a máscara de acrílico? Ninguém sabe dizer se o garçom precisa, se o manobrista precisa. Outro ponto é o alto custo de reabertura. Tivemos de comprar vários equipamentos contratar pessoas para treinar a equipe. Há um custo de reabertura que é um problema para um setor que está em colapso."

'O restaurante ficou silencioso. Eu tive de colocar música'

Denis Nery, sócio da Esquina do Fuad

"No primeiro dia de funcionamento, tive um movimento bom: reservei 70 lugares e ocupei 58. Nas redondezas, aqui em Santa Cecília, só eu abri. Estamos há 54 anos na região, somos meio pioneiros. Acho que o pessoal está vendo como estou fazendo e vai fazer do mesmo jeito.

Senti os clientes meio carentes.Muitas pessoas fotografando, fazendo vídeo para mostrar aos amigos e conhecidos que estavam do outro lado do telefone. O pessoal não se soltou neste primeiro dia.

O restaurante também ficou silencioso. Tive até de colocar música, porque, caso contrário, o barulho que se escutava era o dos talheres batendo no prato. Uma dificuldade é a readaptação dos garçons. Atendendo de máscara mais aquele escudo de acrílico fica difícil a comunicação com o cliente.

É como se fosse um restaurante mudo. Como não temos cardápio, instalei um QRCode para acessá-lo pelo celular. O prato mais pedido hoje foi o medalhão de filé mignon, por R$ 39,90.

De início abri só o salão porque o espaço da calçada está proibido. Gostaria que as mesas na calçada voltassem logo, sem elas perco 50% do faturamento. Mas reconheço que vai ser difícil conter a aglomeração. Quero a calçada, mas acho que tem de esperar um pouco."