Tragédia no baile da 17
São Paulo "Como explicar ao filho dele?", diz cunhada de vítima em Paraisópolis

"Como explicar ao filho dele?", diz cunhada de vítima em Paraisópolis

Familiar de jovem morto após abordagem policial em baile relata desespero da família: "não tinha porque isso acontecer. Era um bom menino"

Eduardo Silva, 21 anos, morreu após ação da PM em Paraisópolis

Eduardo Silva, 21 anos, morreu após ação da PM em Paraisópolis

Arquivo pessoal

"Não tinha porque acontecer isso." Familiares de Eduardo Silva, de 21 anos, um dos nove jovens mortos durante uma ação da polícia militar na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, na madrugada de domingo (1º), no baile da Dz7, receberam com desespero a notícia de que o garoto não voltou da festa.

Uma cunhada do jovem, que preferiu não se identificar, afirma que Eduardo deixou um filho de dois anos, Mateus Silva. "Como vai ser agora? Na hora que recebei a notícia fiquei pensando no que dizer quando ele perguntar do pai. Como vou explicar o que aconteceu", disse ao R7

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Morador do bairro Cidade Ariston, em Carapicuiba, na região metropolitana de São Paulo, Eduardo morava com a mãe, o pai, uma irmã e o filho. Segundo a cunhada, ele trabalhava com o pai em uma oficina de carros e nunca teve nenhum envolvimento com a polícia.

"Fiquei sabendo ontem que ele foi no baile e não voltou", diz a cunhada. "Minha mãe me mandou mensagem para avisar e disse que minha irmã ligou desesperada para ela dizendo que o Eduardo morreu", conta. Segundo ela, ele era um jovem alegre e que gostava de jogar bola. 

"A gente gostava de ficar brincando quando ele ia em casa nos fins de semana. Ele era muito gente boa, não tinha porque acontecer isso", disse emocionada. A jovem afirmou ter visto vídeos que circulam nas redes sociais com cenas de violência policiais durante as abordagens de jovens já rendidos. "Pelos vídeos, vi eles agredindo meninas." 

A cunhada de Eduardo Silva diz que já perdeu amigos em abordagens policiais e agora recebe a notícia da morte do cunhado. "Agora fica a lembrança e a saudade. Ele era um bom menino."

Ação da PM

Segundo a versão oficial, policiais militares perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta quando entraram no local onde ocorria a festa, com cerca de 5 mil pessoas. Havia seis motocicletas da PM estacionadas na altura da Avenida Hebe Camargo, na zona sul, para reforçar o patrulhamento da região por causa do baile.

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Por volta das 5h da manhã, passou pelo local outra moto com dois suspeitos, que dispararam contra os agentes de segurança e fugiram em direção a Paraisópolis. Os policiais, então, perseguiram a dupla, de acordo com o registro policial.

Ao chegar à comunidade, os policiais afirmam que teve início o tumulto e os suspeitos se esconderam na multidão. Isso causou pânico e fez com que participantes da festa tropeçassem e se machucassem gravemente. Entre os noves mortos, estão três adolescentes e uma mulher.

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O ouvidor das Polícias de São Paulo, Benedito Mariano, afirmou na noite do domingo (1º) que pediu para a Corregedoria da Polícia Militar assumir a investigação das nove mortes. O ouvidor também vai solicitar os laudos de necropsia para verificar a causa das mortes.