Contra invasão no feriado, litoral de SP pede bloqueios na Imigrantes

Prefeitos das nove cidades da Baixada Santista cobraram ação do Estado em auxílio aos bloqueios já feitos pelas guardas nas entradas dos municípios

Litoral de SP cobra boqueio da Imigrantes contra invasão no feriadão

Rodovia Imigrantes na saída para o carnaval deste ano; prefeitos querem bloqueios

Rodovia Imigrantes na saída para o carnaval deste ano; prefeitos querem bloqueios

Nilton Fukuda/Agência Estado

As cidades da Baixada Santista temem uma invasão de turistas no megaferiado que começa nesta quarta-feira (20) e pedem que o governo de São Paulo auxilie com bloqueios adicionais ao longo do Sistema Anchieta-Imigrantes, dificultando a descida da serra e reforçando a estratégia que as cidades já realizam nas entradas dos municípios.

Seria uma forma de evitar o grande fluxo de pessoas que pode ocorrer até segunda-feira (25), data para a qual pode ser transferido o feriado da Revolução Constitucionalista de Nove de Julho, segundo projeto do governador João Doria, que tem como objetivo aumentar o isolamento contra a pandemia de covid-19.

Na capital paulista, já houve a antecipação do Corphus Christi, que seria em 11 de junho, e do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) para as próximas quarta e quinta-feira (21). Dessa forma, quem trabalha na capital poderá ter um feriado prolongado de seis dias.

Após vetar praia, Santos proíbe também atividades no 'calçadão'

Os nove prefeitos das cidades da Baixada Santista se reuníram nesta terça-feira (19) por meio do Condesb, o Conselho de Desenvolvimento Regional da Baixada, e pediram os bloqueios aos secretários estauduais Marco Vinholi (Desenvolvimento Regional) e João Octaviano (Logística e Transportes). O governo de São Paulo informou em coletiva na tarde desta terça que iria apoiar os bloqueios dos municípios. Até às 18h, não havia nenhuma informação sobre possíveis bloqueios adicionais.

"Isso vai ser muito importante para que a gente possa garantir o desestímulo à vinda de turistas para a Baixada nesse feriado prolongado", afirmou o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa. Nos últimos três feriados, os municípios realizaram as barreiras sozinhos, e, para esse feriado, o compromisso é que o estado possa nos apoiar", disse em entrevista coletiva na Prefeitura de Santos.

Bloqueio da Guarda Civil na entrada de Santos

Bloqueio da Guarda Civil na entrada de Santos

Divulgação/Prefeitura de Santos

Os bloqueios feitos pelas guardas municipais acontecem desde a penúltima semana de março, antes mesmo do início da quarentena no estado, no dia 24. Após isso, as cidades vetaram também o uso das praias e, parte delas, das calçadas ao longo da orla.

Guardas municipais têm impedido a entrada de pessoas que não estão em veículos com placa das cidades da Baixada. Em linhas gerais, são barradas pessoas que não conseguem provar que elas ou parentes próximos residem no litoral, que trabalham na região ou que estão fazendo algum trabalho específico relacionado a serviços essenciais, como supermercados. Os que não preenchem nenhum desses requisitos são orientados a voltar.

Os prefeitos entendem que o bloqueio no Sistema Anchieta-Imigrantes seria mais efetivo porque algumas cidades possuem diversos acessos ao longo das rodovias, caso de Praia Grande, tornando mais difícil os bloqueios nesses pontos.

A preocupação faz ainda mais sentido considerando que a Baixada Santista é a segunda região mais afetada pela pandemia no estado, atrás apenas da região metropolitana de São Paulo. 

A Baixada Santista soma 4.062 casos e 258 mortes, segundo os boletins divulgados pelos nove municípios na segunda-feira. São 2.183 casos suspeitos, 63 mortes sob investigação e 1.457 pacientes que se recuperaram da covid-19.

Os prefeitos da região optaram por não antecipar feriados. Eles explicam que tomam medidas para desestimular a ida à região. 

"Alertamos que nossos pontos turísticos continuam fechados e o acesso à praia ainda está proibido”, afirma o prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes. A Prefeitura de Bertioga adotou entre suas medidas de desestímulo a proibição de estacionamento ao longo da orla.