Coronavírus: Gestores de escolas públicas de SP querem home office

Eles alegam que estão expostos ao coronavírus nos deslocamentos até escolas e que não são responsáveis pela segurança patrimonial

Escolas estão com portões fechados, mas unidades têm 3 profissionais de plantão

Escolas estão com portões fechados, mas unidades têm 3 profissionais de plantão

Reprodução / Arquivo Pessoal

Com o fechamento das escolas públicas de São Paulo, os alunos estão em casa em isolamento social para conter a propagação do coronavírus. Nesta terça-feira (24), todos os municípios do estado entraram em quarentena. Ainda assim, as escolas municipais são obrigadas a manter ao menos dois funcionários trabalhando presencialmente, de acordo com decreto da prefeitura.  

Por dia, mesmo com portões fechados, estão um gestor, um auxiliar técnico de educação e ao menos um funcionário terceirizado de limpeza e até, em alguns casos, trabalhadores da cozinha. Há denúncias de que as empresas terceirizadas estão inclusive mantendo grávidas e idosos trabalhando normalmente. Nas escolas é feito um rodízio para que as pessoas não sejam sempre as mesmas. No entanto, os gestores defendem o teletrabalho para evitar deslocamentos.

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Segundo Fábio Tamizari, coordenador da EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Frederico Gustavo dos Santos Tenente Aviador, na Brasilândia, zona norte da capital, as pessoas estão expostas ao vírus sem necessidade: "São 4.000 escolas com cerca de três funcionários se deslocando pela cidade, a maioria de ônibus, desnecessariamente. São 12.000 pessoas nas ruas sem uma justificativa plausível".

A categoria alega que o real motivo da manutenção das equipes gestoras nas escolas seria a segurança patrimonial, uma vez que só à noite as unidades têm segurança privada. Tarefa que teria de ser exercida pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) até porque os educadores não foram treinados para tal função. "Estamos duplamente em risco: de infecção pelo coronavírus e por não termos como proteger as escolas", afirmou Fábio.

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De acordo com gestores de escolas, o motivo alegado para obrigar equipes presenciais nas unidades mudou. Primeiro seria por causa dos alimentos presentes para merenda escolar, depois seria para cumprimento do contrato das terceirizadas e, por último, a campanha de vacinação contra a gripe, já que 450 escolas vão funcionar como opção de imunização aos idosos e profissionais de saúde.

Cerca de 450 escolas serão usadas como postos de vacinação durante pandemia

Cerca de 450 escolas serão usadas como postos de vacinação durante pandemia

Reprodução / Arquivo Pessoal

Em outra região de São Paulo, uma diretora de escola, que não quer ser identificada, revela que as unidades, que não foram escolhidas como pontos de vacinação, foram orientadas a fazer uma listagem de alimentos perecíveis que deverão ser retirados em breve nas escolas. Segundo ela, só faz sentido manter as pessoas da cozinha para garantir a retirada dos produtos. "Em nenhum momento houve entrega de merenda nas escolas porque há risco de contaminação dos alimentos e poderia haver aglomeração nas unidades"', disse.

Mas a diretora conta também que as empresas terceirizadas mantêm equipes de limpeza, mesmo sem a presença de alunos, porque não podem dispensar funcionários sem aval da prefeitura. Ela acredita que o sindicato da categoria possa conseguir obter a autorização para que os gestores de educação façam home office.

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Na segunda-feira (23), o Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público de São Paulo) enviou um ofício à Secretaria Municipal de Educação exigindo o fechamento de todas as escolas e inclusão de todos os servidores no afastamento.

O Sinesp também cobrou organização, uma vez que, segundo o órgão, "a maioria dos polos de vacinação nas unidades educacionais não recebeu sequer materiais básicos de prevenção ou reforço dos materiais de limpeza".

Ofício enviado pela DRE Brasilândia à Secretaria pedindo por teletrabalho

Ofício enviado pela DRE Brasilândia à Secretaria pedindo por teletrabalho

Reprodução

Um ofício também foi enviado pela Diretoria Regional de Ensino de Brasilândia e Freguesia do Ó no dia 20 de março solicitando a liberação dos profissionais para o trabalho em esquema home office. No documento está escrito: "As equipes gestoras e de apoio se encontram, a partir de 23 de março, em número diminuto e as unidades educacionais já mantêm canais de comunicação online com as famílias possibilitando inclusive esclarecimentos sobre as informações oficiais que estão recebendo e plantão de dúvidas".

O ofício ressalta ainda que as "equipes de Gestão e de Apoio não são responsáveis pela guarda do prédio, cabendo essa função à segurança pública em todos os níveis".

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O outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que as 4.000 unidades escolares estão funcionando em regime de recesso,"isto porque o trabalho a ser realizado durante o período de férias está sendo implementado nas escolas". Com isso, os contratos das terceirizadas e o atendimento, ainda que online, acontece até o dia 9 de abril.

A Pasta afirma que "tem seguido rigorosamente as medidas indicadas pela área da saúde e a indicação da Secretaria Municipal de Gestão quanto à atuação dos funcionários públicos". De acordo com a prefeitura, os gestores podem adotar o regime de teletrabalho, reduzindo ainda mais o número de servidores, desde que sejam mantidos dois profissionais por unidade educacional.

Sobre a merenda escolar, a Prefeitura de São Paulo promete enviar um cartão de alimentação no valor de R$ 55 mensais destinados às crianças em situação de vulnerabilidade social. A medida foi anunciada nesta quarta (25) pelo governador João Doria. Os pais e responsáveis que tiverem problemas com endereço precisarão entrar em contato com a escola em que os filhos estão matriculados.