Covas anuncia fim do rodízio ampliado e cobra maior isolamento

Prefeito de SP afirmou que restrição mais rígida não surtiu efeito esperado e sinalizou para necessidade de lockdown na região metropolitana 

Bruno Covas anunciou retorno do antigo rodízio na cidade a partir desta segunda

Bruno Covas anunciou retorno do antigo rodízio na cidade a partir desta segunda

Reprodução / YouTube 17.05.2020

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou neste domingo (17) que o novo rodízio não surtiu o efeito esperado para aumentar o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus e, a partir desta segunda-feira (18), vai voltar o rodízio como era no passado. Ele, no entanto, sinalizou para a necessidade de um lockdown na região metropolitana de SP, uma vez que 90% dos leitos para covid-19 estão ocupados.

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"Houve apenas uma pequena melhora no índice que tínhamos de isolamento. Na comparação de sexta-feira (8) com esta sexta (15), subimos apenas dois pontos percentuais, passando de 46% para 48%, mantendo-se abaixo dos 50%, o que é insuficiente", afirmou Covas.

Agora o rodízio volta a ter as mesmas regras do passado, com restrição de acordo com o final da placa, variando no dia da semana, de segunda a sexta-feira, nos horários de pico. A isenção vale apenas para as categorias que já tinham o benefício. "Quem foi multado, foi multado, e poderá recorrer", explicou o prefeito.

Segundo a prefeitura, com o rodízio mais restritivo, cerca de 1,5 milhão de carros deixaram de circular e houve uma queda de 5,5% no número de passageiros de ônibus, o que representa menos 64.266 pessoas.

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O prefeito destacou a importância de se ampliar o isolamento na cidade: "Estamos ficando sem alternativas. É preciso parar por São Paulo. Não há outro caminho. Antes de pensarmos em abrir, é preciso parar. A nossa competência é limitada. A região metropolitana é interligada, mas eu não controlo trens e metrô", ressaltou.

Feriados

Para tentar desacelerar o ritmo de contágio do coronavírus, o prefeito encaminhou um projeto de lei para a Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para que os feriados municipais de Corpus Christi e Consciência Negra sejam antecipados. 

O presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), afirmou que já dialogou com os líderes da Casa e garantiu celeridade, uma vez que o projeto será discutido nesta segunda em uma sessão às 15h. 

“Vamos manter a celebração das datas, mas sem o feriado obrigatório. Aproveitaremos o fato de que a maioria das pessoas não trabalha em feriados para garantir uma adesão ainda maior ao isolamento social. Vou sugerir ao governador João Doria que faça o mesmo e antecipe o feriado de 9 de julho para ganharmos mais um dia de pausa”, disse o prefeito.

As novas datas para antecipação ainda não foram definidas.

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Hospitais lotados

Bruno Covas, em coletiva virtual na sede da Prefeitura, ressaltou que, apesar dos esforços para criação de novos leitos para pacientes com covid-19, os hospitais estão praticamente lotados. Ele lembrou também que a cidade se "aproxima do período mais difícil".

Foram criados 840 novos leitos de UTI e sete hospitais municipais, sendo que Brasilândia, Parelheiros e Bela Vista são estruturas definitivas de saúde. Nove entre dez pacientes recebem alta se tiverem o tratamento médico garantido.

Já o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, fez uma previsão: "Em 15 dias, a rede de saúde estará comprometida, porque o isolamento é insuficiente para o grau de evolução da doença na cidade. De 9 de abril a 15 de maio, houve um aumento de 432% no número de mortes por covid-19".

A cidade de São Paulo tem 38.479 casos confirmados de covid-19, 135.348 suspeitos, 2.766 óbitos pela doença e outros 3.143 em investigação.

Seis hospitais municipais já estão em 100% da capacidade, e na capital a taxa de ocupação de UTIs é de 89%. No setor privado, dos 1.400 novos leitos, 97% estão ocupados. Das 2.500 vagas em enfermaria, 76% estão com pacientes.

Edson Aparecido disse que 2.996 pacientes já passaram pelos hospitais de campanha e que aumentaram também, na cidade, os óbitos pela Síndrome Respiratória Aguda Grave, chegando a 2.286 mortes.

O prefeito ainda prometeu reforçar as ações nos bairros com os 10 mil agentes comunitários de saúde e afirmou que a população pode denunciar estabelecimentos que desrespeitarem as regras da quarentena, que vai até 31 de maio.