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São Paulo Covid-19: hospitais do interior de SP já têm filas para internação

Covid-19: hospitais do interior de SP já têm filas para internação

Com lotação, prefeituras transferem doentes para outras cidades. Nos últimos 15 dias, ocupação de leitos chegou a 60,2% no estado

Agência Estado
Hospitais do interior de SP têm filas para internação com alta nos casos de covid

Hospitais do interior de SP têm filas para internação com alta nos casos de covid

Juan Ignacio Roncoroni / EFE - 3.9.2020

Com hospitais lotados e filas de pacientes para internação, prefeituras já transferem doentes com a covid-19 para outras cidades no interior de São Paulo. Nos últimos 15 dias, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a ocupação de leitos exclusivos para infectados pelo novo coronavírus subiu de 52,7% para 60,2%, mas em muitas cidades a lotação da rede hospitalar chega a 100%, atingindo picos iguais aos do auge da pandemia. Gestores de saúde temem que as festas do fim do ano causem uma explosão no número de casos. A pasta afirma que habilitará dois mil novos leitos de UTI no Estado.

Na terça-feira (15), Sorocaba tinha 41 pacientes com covid internados, 28 deles em UTI. Pela manhã, 12 infectados eram mantidos em estabilidade na rede pré-hospitalar municipal aguardando internação, dois deles com indicação para UTI. À tarde, apenas um conseguiu vaga.

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O hospital Adib Jatene, mantido pelo Estado, tinha 100% de leitos de UTI ocupados, e a enfermaria da Santa Casa, vinculada à prefeitura, já estava em capacidade máxima. "Nossos 61 leitos para covid estão com pacientes e não temos estrutura para ampliar mais", disse o administrador da Santa Casa, padre Flávio Miguel Junior.

Ele manifestou preocupação com as festas do fim do ano. "Há uma ascensão no número de casos e pode piorar se não houver distanciamento nas festas. Nossas equipes estão exaustas e não conseguem descansar", disse.

No conjunto hospitalar, estadual, a ocupação em leitos de terapia intensiva era de 95% - 5% ficam vagos para emergências. Entre os hospitais particulares, o da Unimed tinha 100% dos leitos de UTI tomados.

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Conforme dados do município sobre leitos mantidos pelo Estado, o número de vagas disponíveis em UTI caiu 38% entre o final de junho e início de dezembro. Essa redução foi de 42,7% na enfermaria.

A prefeitura informou que deve concluir esta semana a contratação de 20 leitos de enfermaria no Hospital Santa Lucinda para pacientes com coronavírus. Sorocaba já soma 24.076 casos e 525 mortes pela covid - cinco novos óbitos registrados nessa terça.

Campinas

Em Campinas, a prefeitura voltou a suspender cirurgias eletivas (não urgentes) na Rede Mário Gatti, que inclui os hospitais Mário Gatti, Ouro Verde e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município. A medida foi tomada, segundo o prefeito Jonas Donizette (PSB), devido ao aumento no número de casos e mortes e à pressão sobre o sistema de saúde. O prefeito recomendou à rede particular que tome a mesma medida. A ocupação dos leitos de UTI exclusivos para covid-19 chegou a 85,7%. Das 196 vagas nas redes pública e particular, 168 estavam ocupadas. Em 24 horas, cinco internações. As cirurgias eletivas representam 70% do total.

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Indaiatuba

A prefeitura de Indaiatuba contratou oito leitos para covid-19 no Hospital Samaritano de Campinas, mas todos estavam ocupados. O município foi obrigado a acionar a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) do governo estadual na segunda-feira, 14, após constatar lotação das vagas de UTI. Dois pacientes estavam a ponto de serem transferidos para outras cidades, mas na noite de segunda para a terça três foram abertas no Hospital Municipal e uma no Samaritano de Campinas.

São José de Rio Preto

O Hospital de Base de São José de Rio Preto, referência para 102 municípios da região, tinha 84 dos 145 leitos de UTI ocupados, taxa de 57%. Na enfermaria, a ocupação era de 39% - 77 dos 195. A diretora administrativa Amália Tieco considerou a situação preocupante. "Em um mês, a ocupação de leitos de enfermaria dobrou e a de UTI aumentou 120%", disse. O hospital já estuda a suspensão das cirurgias eletivas. A cidade registrou 63 novos casos e seis óbitos nas últimas 24 horas. Agora são 31.595 pessoas infectadas e 849 óbitos. Em toda a rede, são 269 pacientes internados, sendo 75 em UTI.

Amparo

A prefeitura de Amparo foi obrigada a colocar dois leitos a mais na ala para pacientes de coronavírus da UTI da Santa Casa para dar conta da demanda. Mesmo assim, quatro pacientes locais foram transferidos para outras cidades. O hospital da Beneficência Portuguesa também atingiu lotação máxima na UTI covid. Ao todo, 20 moradores estão internados com coronavírus.

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Outras cidades

A Santa Casa de Birigui registrou, na terça-feira, 100% de ocupação dos 22 leitos de UTI e enfermaria. A prefeitura deixou de prontidão a Santa Casa de Araçatuba e o Hospital de Campanha de Penápolis para receber transferências de novos casos de internação.

Também estavam com 100% dos leitos para covid-19 as Santas Casas de Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo e Lins.

No Hospital das Clínicas de Botucatu, que é público e referência para covid-19 na região, a ocupação de leitos voltou ao patamar de julho. Na segunda-feira, a taxa chegou a 87%, com 42 pacientes internados. Na terça, dois pacientes tiveram alta, fazendo a lotação recuar para 83%.

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Com 61 pacientes de covid internados, a cidade de Marília registrava ocupação de 100% de leitos de UTI no hospital Unimar e de 90% na Santa Casa.

Em São José dos Campos, onde a média de casos diários de infecções de coronavírus dobrou em 14 dias (de 64 para 131), a ocupação de leitos de UTI exclusivos para covid-19 na rede pública e privada chegou a 64,4% na terça e 51,9% nas enfermarias, com 134 internados. Já são 522 óbitos e 22.781 infectados pelo coronavírus.

Baixada Santista

Na Baixada Santista, o aumento dos casos de covid preocupa, mas a taxa de ocupação hospitalar está abaixo de 50% na maioria das cidades. Nas últimas 24 horas, os nove municípios tiveram 618 registros de infectados. Há 373 pessoas internadas. Dessas, 308 estão em Santos, onde a ocupação dos 697 leitos para covid está em 44%. Já nos 287 leitos de UTI, a taxa é de 54%, com ocupação maior da rede privada (65%) do que na pública (435), segundo números da prefeitura.

Mais leitos

O governo de São Paulo informou que garantirá o custeio e financiamento de dois mil leitos de UTI no SUS (Sistema Único de Saúde) de todo o Estado. Conforme a secretaria estadual, a habilitação dos leitos já foi pedida e está sendo analisada pelo Ministério da Saúde.

"Temos a necessidade não só de reforçar o sistema de saúde, garantindo leitos de covid para nossa população, mas também adotando medidas emergenciais e tendo a possibilidade de ter uma vigilância que nos permita que essas medidas garantam a segurança da população", disse o secretário Jean Gorinchteyn.

Segundo a pasta, essas vagas serão garantidas com o valor de diária de UTI definido pelo Ministério da Saúde exclusivamente para atendimento aos pacientes com coronavírus, à razão de R$ 1,6 mil por dia. A habilitação abrangerá todas as regiões, em serviços de saúde estaduais, municipais, universitários e conveniados ao SUS em Santas Casas e hospitais filantrópicos.

Também devem ser prorrogados 70 convênios que venceriam em 31 de dezembro e que dão suporte às Santas Casas e municípios para manutenção de leitos para covid-19. Segundo a pasta, no período pré-pandemia, o SUS paulista contava com 3,5 mil leitos de UTI, número que subiu para 8,5 mil com a ativação de 5 mil novos leitos.

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