São Paulo CPI quer revogar honraria a 'médico dos famosos' suspeito de abusos 

CPI quer revogar honraria a 'médico dos famosos' suspeito de abusos 

Nutrólogo foi homenageado pela Câmara Municipal de SP com Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão. Abdelmassih também teve honraria cassada

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Violência Contra a Mulher propôs na terça-feira (29) a revogação de honraria concedida pela Câmara Municipal de São Paulo ao médico nutrólogo Abib Maldaun Neto, denunciado por abuso sexual contra pacientes atendidas em sua clínica na capital paulista.

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Mais de 20 denúncias são investigadas pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Médico nutrólogo Abib Maldaun Neto

Médico nutrólogo Abib Maldaun Neto

Reprodução / Record TV

Ele é acusado de abusar das pacientes durante as consultas médicas. Segundo o MP, as vítimas ou advogados procuraram o órgão para denunciar a conduta do médico, que tem um consultório nos Jardins, área nobre da capital, e é conhecido por atender diversas celebridades.

O médico foi homenageado na Câmara Municipal em 2016 com a entrega da Medalha Anchieta e do Diploma de Gratidão da cidade de São Paulo. Os vereadores paulistanos já cassaram uma honraria dada ao então médico Roger Abdelmassih, após as inúmeras denúncias de estupro.

Vereadoras que integram a CPI dizem que não há argumentos contra a cassação do título concedido a Maldaun Neto. A proposta seguirá para tramitação na Câmara.

Denúncias

Desde que o caso veio à tona, o Ministério Público abriu um canal direto por e-mail para receber as denúncias. Os relatos podem ser enviados para somosmuitas@mpsp.mp.br e serão recebidos por uma equipe especializada do Núcleo de Gênero do Centro de Apoio Operacional Criminal, com total sigilo em relação aos dados.

Abib já foi condenado em segunda instância por violação sexual mediante fraude pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas continuava atendendo com autorização do Cremesp (Conselho Regional de Medicina). Em julho, ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão, em regime semiaberto, em um processo que teve início em 2014. Ele recorreu da decisão.

Mas na sexta-feira (25) o Cremesp anunciou a suspensão do registro de trabalho do médico cautelarmente, por seis meses, podendo ser prolongado, em decorrência de denúncias sobre abuso sexual.

Em nota, o médico afirma que "é inocente, está tranquilo e que jamais cometeu ato imoral ou ilegal durante a atuação médica". Informou também que sempre colaborou durante o processo e está à disposição para que, segundo ele, a verdade seja comprovada.

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