Cresce o movimento em Cumbica com reforma em Congonhas (SP)

Passageiros relataram filas e desrespeito ao distanciamento no check-in e na área do embarque. Pista principal está fechada para obras

Passageiros aglomerados para embarque no terminal 3 de Guarulhos

Passageiros aglomerados para embarque no terminal 3 de Guarulhos

Reprodução / Arquivo Pessoal

A tão esperada retomada de voos no país ainda não aconteceu, mas no aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, a movimentação de passageiros cresceu no mês de julho, chegando a uma média diária de 25 mil passageiros, segundo a GRU Airport, concessionária que administra o terminal. Em meados de março até junho, eram registrados 15 mil embarques e desembarques por dia - um movimento 66% menor. 

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O número, no entanto, está distante dos verificados antes da pandemia do novo coronavírus. De acordo com a GRU Airport, houve uma redução média de 85% das operações diárias de pousos e decolagens. Até fevereiro, o terminal recebia 120 mil passageiros por dia.

As operações de voos domésticos estão concentradas no terminal 2, enquanto as internacionais ocorrem no terminal 3. O terminal 1 está fechado temporariamente e sem previsão de reabertura. 

Passageiros já registraram longas filas no check-in e no despacho de bagagem do aeroporto, em especial nos da Gol. Foi o caso do instrutor de paraquedismo, Wesley Oliveira Xavier que, para embarcar com destino a Vitória (ES) no último dia 7, chegou em Guarulhos por volta de 7h. "Pensei que ia estar vazio, mas tomei um susto quando cheguei. Distanciamento social não existia. As pessoas estavam a dois palmos de distância. Muito cheio para fazer check-in e despachar a bagagem. Fila dava voltas", lembra.

Longa fila no check-in da Gol

Longa fila no check-in da Gol

Reprodução / Arquivo Pessoal

Na verdade, o voo deveria ter partido do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, mas a pista principal está em reformas e a companhia áerea optou pela mudança. "Para mim, Congonhas era mais perto e os poucos horários em Guarulhos eram ruins. Com a pandemia, a gente espera menos lotação", conta Wesley.

Dentro da aeronave, outra surpresa: um passageiro estava com o assento marcado ao lado do dele: "Me senti incomodado. Estava na janela, mas como ficou vago o outro assento, o passageiro, por conta própria, decidiu mudar de lugar. Acho que a medida do distanciamento é só quando convém para a empresa", diz. 

Outra passageira relatou aglomeração no aeroporto de Guarulhos na volta do Dia dos Pais. Segundo ela, o terminal 2 estava intransitável em alguns trechos e havia fluxo intenso de pessoas também na área externa do desembarque.

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A passageira de 33 anos, que não quer ser identificada, contou que não havia filas no check-in nem para despachar bagagem, no dia 3 de julho - quando embarcou para Londres para acompanhar o tratamento do irmão que está doente.

De máscara e luvas, ela afirma que encontrou tudo organizado no terminal 3 até chegar a hora do embarque. "O maior problema foi na sala de espera. Quando anunciaram o portão, as pessoas ficaram mais próximas. Tinha filas, os passageiros não respeitavam o distanciamento e não reforçaram com qualquer tipo de mensagem a estratégia para embarque. Me deixou chocada", argumentou.

Para evitar a aproximação, ela preferiu embarcar só após o fim das filas. O voo estava cheio e algumas poltronas foram ocupadas lado a lado.

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Reforma em Congonhas

Pista principal de Congonhas está fechada para obras desde 5 de agosto

Pista principal de Congonhas está fechada para obras desde 5 de agosto

Divulgação / Infraero

As obras na pista principal do aeroporto de Congonhas, que tem 1.940 metros de comprimento e 45 metros de largura, começaram no dia 5, com a retirada do asfalto. O terminal mantém as operações pela pista auxiliar das 6h às 23h.

Mas há restrições. A pista principal suporta aeronaves de categoria até 4C, que englobam as mais utilizadas pelas companhias aéreas, como Boeing 737-800, Airbus A320 e Embraer E195. Mas a pista auxiliar só pode receber aeronaves até categoria 3C, como o ATR-72 e Caravan. Sendo assim, as aeronaves de porte maior podem usar a pista apenas para voos de translado, sem transportar passageiros.

Com isso, algumas companhias aéreas transferiram voos e passaram a utilizar o aeroporto de Guarulhos e o de Viracopos, em Campinas, no interior paulista, enquanto durarem os trabalhos.

O impacto pode ser percebido em números. De acordo com a Infraero, a média de pousos e decolagens em Congonhas era de 50 voos entre os dias 1º e 4. Mas com o início dos trabalhos, a estimativa é de que ocorram apenas 20 voos por dia usando a pista auxiliar, o que representa uma redução de 60%.

A obra tem um investimento de R$ 11,5 milhões. A intervenção exige o fechamento total da pista por 32 dias para aplicação no pavimento da CPA (Camada Porosa de Atrito). Segundo a Infraero, a tecnologia permite melhorias na capacidade de drenagem da pista (rápido escoamento da água de chuva), aumento da aderência do pneu da aeronave ao chão e redução da possibilidade de aquaplanagem.

Para o superintendente do aeroporto de Congonhas, João Marcio Jordão, “a Infraero aproveita a queda na movimentação de passageiros e operações em decorrência da pandemia para adiantar o calendário de obras da empresa. A intervenção vai permitir que o aeroporto opere com segurança pelos próximos 10 anos”.

Aglomeração de passageiros costuma ocorrer na hora do embarque no avião

Aglomeração de passageiros costuma ocorrer na hora do embarque no avião

Reprodução / Arquivo Pessoal

Cuidados na pandemia

Outros passageiros ouvidos pelo R7 tiveram uma experiência tranquila no embarque no aeroporto de Guarulhos. Afirmaram que o terminal estava com baixo movimento, sem filas e que os funcionários estavam com os equipamentos de proteção e davam orientações, quando necessário.

Foi assim com a professora Elena Fornasari. Ela embarcou no dia 1º para a Itália. "Era um sábado, o aeroporto estava vazio e havia pouquíssimos voos no painel. A fila estava tranquila, respeitando as distâncias e todos de máscara. O embarque estava dividido em grupos. Não tive receio nenhum", destaca.

Ela, no entanto, reparou que não havia marcações no chão e houve uma certa aglomeração na hora do embarque: "Não vi ninguém medindo a temperatura antes de entrar no avião ou antes do controle para ir para o portão. Eu estava esperando porque me falaram que tava acontecendo, mas não vi em momento nenhum".

A pandemia exigiu que os aeroportos adotassem medidas de prevenção à covid-19 seguindo recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Entre elas o distanciamento social, uso de máscaras e a preferência na utilização dos serviços eletrônicos das companhias aéreas, que facilitam o despacho de bagagem e o check-in antecipado. É importante também que o passageiro evite  viajar se estiver com algum sintoma suspeito da doença.

Em nota, a GRU Airport informou que é feita a aferição da temperatura dos passageiros nos controles de acesso aos embarques dos terminais 2 e 3 e que houve a instalação de tecnologia de esterilização automática, através de luz ultravioleta em corrimãos.

A concessionária afirma ainda que há adesivos no piso para orientar o distanciamento no raio-X e na imigração, álcool gel em pontos com maior movimentação de passageiros, além de aumento da frequência de limpeza nas áreas comuns, monitoramento da qualidade do ar e veiculação de avisos sonoros e vídeos informativos.

A empresa disse também que antecipou a campanha de vacinação contra H1N1 aos colaboradores e que adotou home office e programa escalonado de férias.

Em nota, a Gol informou que suspendeu os voos no aeroporto de Congonhas enquanto durarem as obras, passando a operar exclusivamente a partir de Guarulhos. 

A empresa ressaltou que desligou totens, usa adesivos para demarcar a distância mínima durante o processo de embarque e a bordo e fechou a sala vip dos aeroportos. Para evitar filas, a Gol recomenda o check-in online, que está liberado com 48 horas de antecedência. 

Já sobre o relato de passageiros lado a lado na aeronave, a companhia aérea justificou que estudos da Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) e da Icao (Organização Internacional da Aviação Civil) apontam que não há evidência científica de que o distanciamento dentro do avião seja efetivo porque o ar interno é renovado a cada três minutos.