Crise do coronavírus gera aumento nas vendas de supermercados em SP

Funcionários de grandes redes revelam que vendas até triplicaram em algumas unidades na capital paulista nos últimos dias e falta de produtos

Pandemia da Covid-19 deflagrou explosão de consumo em supermercados

Pandemia da Covid-19 deflagrou explosão de consumo em supermercados

Cesar Sacheto/R7

A crise deflagrada em diversos setores da atividade comercial causada pela pandemia do novo coronavírus tem provocado aumento no fluxo de clientes em supermercados da capital paulista. Na unidade da rede Pastorinho do Piqueri, na zona norte de São Paulo, os administradores notaram que o movimento triplicou em determinados horários desde a semana passada.

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Na tarde desta quinta-feira (19), horário em o número de caixas é reduzido devido ao almoço dos funcionários, as filas eram maiores em relação a dias anteriores ao crescimento dos casos da Covid-19 no Estado. Mas a preocupação da população com um eventual desabastecimento de produtos gerou uma corrida aos mercados.

"O número de clientes dobrou. Chegou até a triplicar. A gente tinha uma estrutura para atender [o movimento regular do mercado]. [Atualmente] Às vezes, de sexta-feira passada para cá, dá uns picos", revelou o subgerente da unidade, José Eliezer.

Segundo José Eliezer, o melhor horário para fazer compras com certa tranquilidade é o início da manhã. "A partir das 7h30 até 10h30". No entanto, o quadro de funcionários foi mantido. Não houve dispensas devido às novas recomendações das autoridades estaduais ou do governo federal.

Outro problema enfrentado pela rede supermercadista é manter a oferta de alguns produtos nas prateleiras da loja. "Estamos vendendo o estoque de duas semanas na metade do tempo. Produtos como álcool para limpeza, papel higiênico e até leite estão escassos", apontou o subgerente do Pastorinho.

Prateleiras esvaziadas no setor de limpeza de mercado na zona oeste

Prateleiras esvaziadas no setor de limpeza de mercado na zona oeste

Clarice Sá/R7

No Carrefour do Jardim Anália Franco, na zona leste paulistana, os consumidores notaram a falta de diversos produtos. Segundo uma funcionária, que não se identificou, a unidade quase atingiu a meta prevista para o mês de março apenas com as vendas realizadas no fim de semana passado.

A trabalhadora revelou que o hipermercado deveria receber cinco carretas com produtos para repor as prateleiras já vazias em alguns setores. A equipe de atendimento também questionava os clientes sobre quais produtos estavam em falta para relatar aos superiores e planejar os pedidos para aumentar o estoque.

Números confirmam vendas em alta

De acordo com um levantamento realizado pela Apas (Associação Paulista de Supermercados), o movimento nos supermercados paulistas cresceu 45.6% na última quarta-feira (18) em comparação com o mês anterior - dia 19 de fevereiro (também uma quarta-feira).

Apas calculou evolução das vendas dos mercadistas nas últimas semanas

Apas calculou evolução das vendas dos mercadistas nas últimas semanas

Reprodução/Apas

Apesar do consumo ter acelerado em função da antecipação de compras e em razão dos trabalhos à distância (home office), o abastecimento continua normal até o momento, Há apenas falta de produtos de maneira pontual. A Apas também elaborou uma lista com orientações para minimizar os riscos devido à pandemia da Covid-19:

- Disponibilizar colaborador para constante limpeza dos carrinhos, utilizando
álcool e papel descartável;

- Disponibilizar em locais estratégicos da loja álcool em gel para uso pelos
consumidores;

- Limpeza com álcool em gel das maquininhas de cartão e pontos de contato de forma geral, como botões de cancela de estacionamento, pontos eletrônicos, teclados, maçanetas e puxadores de refrigeradores, coletores de dados etc;

- Aprimorar a limpeza dos banheiros;

- Indicar no piso distância para pessoas nas filas;

- Adotar medidas para agilizar o atendimento de idosos e gestantes em todos os ambientes das lojas;

- Limpeza do ar condicionado;

- Disponibilizar copos descartáveis nos bebedouros.