São Paulo Decretada prisão preventiva de PMs acusados de matar aniversariante

Decretada prisão preventiva de PMs acusados de matar aniversariante

Após analisar provas e imagens de câmeras, juiz anulou tanto a hipótese de perseguição, como a suspeita de que o jovem estivesse armado

  • São Paulo | Elizabeth Matravolgyi, da Agência Record

Câmera de segurança mostrou policiais militares assassinando jovem de 19 anos

Câmera de segurança mostrou policiais militares assassinando jovem de 19 anos

Reprodução/ Record TV

O Tribunal de Justiça Militar decretou prisão preventiva de Renan Conceição Fernandes Branco e Guilherme Tadeu Figueiredo Giacomelli, os dois policiais militares acusados de atirar e matar Rogério Ferreira da Silva Junior, de 19 anos, durante abordagem no dia 9 de agosto, na região do Sacomã, zona sul de São Paulo. O jovem foi morto no dia de seu aniversário. Os dois policiais já estão no Presídio Militar Romão Gomes. 

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Após analisar as provas coletadas e as imagens de câmeras de segurança, o juiz Ronaldo João Roth anulou a hipótese de uma perseguição e também qualquer suspeita de que o jovem estivesse armado. Naquele dia, Rogério havia saído de moto para comemorar o aniversário, quando foi abordado pelos policiais e assassinado.

Ainda de acordo com o juiz, os policiais não procuraram pela suposta arma do rapaz e não adotaram os protocolos de abordagem a um suspeito armado.

O pedido de prisão preventiva também alega que os policiais não realizaram o atendimento ao jovem após o disparos. Rogério só foi socorrido cerca de 30 minutos depois, após moradores da região se mobilizarem.

Mentira no registro da ocorrência

Além disso, segundo os registros telefônicos do COPOM (Comando de Operações da Polícia Militar), os policiais inicialmente apresentaram uma versão falsa sobre a ocorrência. Eles alegaram que haviam se deparado com um acidente de trânsito e não mencionaram em nenhum momento que havia ocorrido disparos de arma de fogo e nem que a vítima estava baleada.

A versão falsa só foi corrigida 8 minutos depois e, segundo o juiz, isso pode ter agravado o quadro de saúde que levou à morte de Rogério. Já na segunda versão, os soldados falaram que teria sido um acompanhamento a um suspeito e que o soldado Guilherme havia atirado, pois, o jovem havia feito menção de sacar uma arma durante a perseguição.

Dessa maneira, o juiz concluiu que os soldados “fraudaram a comunicação da ocorrência, apresentando versão inverídica sobre os fatos, retardando assim o socorro à vítima ferida por disparo de arma de fogo”.

A prisão foi cumprida pela Corregedoria da Polícia Militar. O caso é investigado também pela Polícia Civil, na esfera criminal.

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