Depoimentos de PMs contrariam vídeos de moradores de Paraisópolis

Policiais citam uso de força moderada em ação que terminou com nove mortes, mas imagens dos moradores mostram agressões a jovens rendidos

Em depoimentos, quatro militares alegaram uso de 'força moderada'

Em depoimentos, quatro militares alegaram uso de 'força moderada'

RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Policiais militares que participaram da ação na favela de Paraisópolis, que terminou com a morte de nove jovens, no domingo (1º), afirmaram, em depoimentos à Polícia Civil, que usaram de “força moderada” durante as ações.

No entanto, vídeos gravados por moradores do bairro mostram militares agredindo jovens rendidos. Ainda segundo os relatos, o homem que estava na garupa de uma moto perseguida pelos agentes teria efetuado disparos contra os policiais.

Embora as imagens indiquem o uso excessivo da força policial, a corporação não demonstrou que deve mudar as diretrizes de suas ações em festas como o Baile da 17.

Os depoimentos dos agentes Antonio Marcos Cruz da Silva, Vinícius José Nahool Lima, Thiago Roger de Lima Martins Oliveira e Renan Cesar Angelo - da Força Tática do 16º BPM (Batalhão de Polícia Militar) -, obtidos pela reportagem, apresentam versões muito parecidas: os policiais relataram perseguiam dois criminosos que estavam em uma moto, e o ‘garupa’ atirou contra os agentes.

Os dois teriam entrado no meio do baile funk, o que, segundo os depoimentos, teria causado a confusão que terminou com a morte dos nove jovens. Os policiais também citam que, com a confusão, tiveram de usar de “força moderada”, com o munição química e o emprego de cassetete.

Posição da Polícia Militar

Até o momento, o posicionamento da Polícia Militar de São Paulo é de que a corporação não mudará sua atuação em bailes funk, mas irá apurar os fatos ocorridos na madrugada de domingo em Paraisópolis.

Veja também: Polícia espera laudos para definir apuração de mortes em Paraisópolis

O tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que a ação foi “técnica e correta”.

A reportagem solicitou à corporação um posicionamento sobre os vídeos gravados pelos moradores e perguntou qual é o critério da Polícia para se definir o que é "força moderada". Até a publicação deste texto, não houve resposta.