São Paulo Documentos revelam controle do PCC em presídio no interior de SP

Documentos revelam controle do PCC em presídio no interior de SP

Obtido com exclusividade pelo Jornal da Record, relatório escrito à mão por líderes da facção criminosa detalha rotina dos detentos

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Líderes do PCC controlam de detentos em Presidente Venceslau (SP)

Líderes do PCC controlam de detentos em Presidente Venceslau (SP)

Reprodução/Record TV

Documentos encontrados dentro de uma das celas do presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, obtidos com exclusividade pelo Jornal da Record, revelam como uma das principais facções criminosoas do país controla a rotina dentro do complexo penitenciário.

Foram cumpridos cinco mandados de prisão numa investigação que descobriu uma espécie de serviço de inteligência da facção, que planejava atentados contra promotores e agentes públicos. Apenas "Nadim" não foi preso. A polícia acredita que ele esteja morto.

As anotações foram apreendidas durante a ação do Ministério Público na cela de Adriano Dantas de Souza, conhecido como Jó, e mostram que os criminosos administram a vida dos presos como se fosse o departamento de recursos humanos de uma empresa convencional.

Trata-se de um relatório completo, feito no mês passado por líderes do PCC, que detalha a situação do preso e o tempo de pena de cada um. O crime organizado determina funções para os presos, como barbeiro ou faxineiro. O que impressionou as autoridades foi um sistema próprio de batida de ponto.

Escrito à mão, o documento chama a atenção pelo nível de detalhamento. As planilhas têm seis colunas: idade do detento, tempo condenação, tempo de prisão naquela unidade, número de vezes que a defesa tentou diminuir a pena, o que resta da pena e, por fim, se o detento tem advogado.

No relatório de banco de horas, o preso identificado como Lucas, por exemplo, deu plantão no dia 17. Começou às 7h32 da manhã. Às 9h50, ele registrou a batida da volta do descanso. Tudo é detalhado pelos líderes da facção, inclusive o tempo gasto em cada função.

Foram 43 minutos varrendo as galerias, quadras e na coleta de lixo. O objetivo da facção é comprovar o trabalho dos presos e assim conseguir benefícios na justiça, como redução de pena.

Segundo o levantamento feito pela facção na unidade de Presidente Venceslau, dos 99 presos, 43 não possuem defesa. Uma informação valiosa para os líderes da facção, pois, muitas vezes, obtêm novos integrantes com o pagamento de advogados para os detentos.

O crime organizado busca com isso uma fidelização eterna desses indivíduos que adquirem uma divida impagável com a facção. Divida que, posteriormente, cobram por meios de atentados contra autoridades publicas e outras missões de interesse da cúpula da facção.

Eles tentam com isso também por incrível que parece buscar uma oficialização dessas funções que na verdade sempre são ocupadas por criminosos e com isso abater a pena imposta e alcançar a liberdade anteriormente.

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