Dois moradores de rua morrem em madrugada mais fria do ano em SP 

Na semana passada, prefeitura disse que intensificou o atendimento à população de rua, mas preferiu não comentar sobre as mortes

Morador de rua é encontrado morto na zona oeste de SP

Morador de rua é encontrado morto na zona oeste de SP

Júlio Zerbatto / Estadão Conteúdo

Dois moradores em situação de rua foram localizados mortos nesta segunda-feira (21) em São Paulo, na mesma madrugada em que a cidade registrou a temperatura mais baixa do ano, uma média de 8,3º C

O primeiro caso trata-se de Marciano da Silva Corrêa, de 34 anos. O morador de rua foi encontrado com sua identidade. Ele teria nascido em Limoneiro, em Pernambuco.

A vítima foi encontrada na avenida Rio Pequeno, no Rio de Pequeno, zona oeste da capital, às 5h50.

De acordo com a Polícia, a morte pode ter ocorrido devido às baixas temperaturas registradas na madrugada da segunda-feira na cidade. Não havia sinais aparentes de violência, ainda segundo a pasta.

O boletim de ocorrência foi registrado no 51º Distrito Policial (Butantã) como "morte suspeita" uma vez que a perícia ainda não determinou as condições da morte. No momento em que os policiais militares encontraram o morador de rua, o SAMU foi chamado e constatou o óbito.

O segundo caso ocorreu na avenida do Estado, próximo ao terminal Parque Dom Pedro II, às 9H13. A identidade desta segunda pessoa não foi informada. O caso foi registrado no 1°Distrito Policial (Sé).

Por telefone, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não se pronuncia sobre o caso, já que a causa da morte ainda não foi constatada. O órgão também informou que não atua no recolhimento do corpo nem na elaboração de eventuais laudos. 

Na semana passada, porém, a Prefeitura informou, por meio de nota, que intensificou o atendimento à população em situação de rua da capital com o início do Plano de Contingência para Situações de Baixas Temperaturas. Segundo a administração municipal, a ação ocorrerá até o dia 30 de setembro e será reforçada sempre que a temperatura atingir o patamar igual ou inferior a 13º, ou sensação térmica equivalente.

O plano é coordenado de forma compartilhada entre as secretarias municipais de Direitos Humanos e Cidadania, Assistência e Desenvolvimento Social e Segurança Urbana. A ação contará, ainda, com o apoio da Secretaria Municipal da Saúde.

Inicialmente, dois abrigos emergenciais serão abertos, um na região central, com 100 vagas, e outro na Lapa, com 80 vagas. Essas vagas serão acrescentadas às outras mais de 14 mil já existentes nos Centros de Acolhimento. A rede também conta com 135 Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICAs), que juntas disponibilizam 2.570 vagas.