São Paulo Doria vê denúncias técnicas: 'PSDB não deve condená-las'

Doria vê denúncias técnicas: 'PSDB não deve condená-las'

Após denúncias envolvendo o senador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin, Doria diz que partido não deve criar 'objeções' às investigações

Agência Estado
Doria afirma que partido não criará 'nenhuma objeção' às investigações

Doria afirma que partido não criará 'nenhuma objeção' às investigações

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO- 22/07/2020

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que é "dever" do seu partido não criar "nenhuma objeção" às denúncias contra o senador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin. Segundo Doria, as investigações contra seus correligionários são "técnicas" e, por isso, a sigla não deve condená-las.

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Serra foi denunciado por lavagem de dinheiro no último dia 3, acusado de receber dinheiro da Odebrecht de forma irregular quando foi governador do Estado, entre 2006 e 2007. Na última terça-feira, ele foi alvo de outra investigação, em que é suspeito de ter recebido R$ 5 milhões da operadora de planos de saúde Qualicorp sem declarar à Justiça Eleitoral na campanha ao Senado de 2014. O senador nega as acusações.

Já Alckmin foi denunciado anteontem sob a acusação de ter recebido R$ 11,3 milhões da Odebrecht de forma irregular para financiar suas campanhas ao governo do Estado de 2010 e 2014.

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A empreiteira não poderia ter feito doações eleitorais porque tinha duas contratos em vigor com o governo estadual. O tucano também nega ter cometido irregularidades. "Alckmin manteve postura de retidão e respeito à lei sem jamais abrir mão dos princípios éticos", diz sua defesa.

"Não vemos essas denúncias como uma resposta de ordem política, e sim de ordem técnica", disse Doria ontem, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. " A Polícia Federal realiza seu trabalho assim como o Ministério Público, cumprindo o seu dever. E o dever é investigar, assim como o (dever) do PSDB é não criar nenhuma objeção e nem condenar nenhum tipo de investigação", completou.

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Na sequência, o governador paulista disse que nem Serra nem Alckmin foram condenados ainda. "Minha posição, assim como a do PSDB do Estado de São Paulo é de que toda investigação deve ser efetivada sem nenhum obstáculo, sem nenhuma obstrução, até que se tenha o resultado final", declarou. Sem citar o PT, Doria disse que essa posição é diferente de "outro partido que, na defesa do seu presidente de honra, criou obstáculos" e classificou como política a investigação. "O PSDB não classifica essas investigações como de ordem política", afirmou.

Marca

Uma ala do PSDB ligada a Doria viu a oportunidade de voltar a pregar a construção de um "novo" PSDB, a partir das denúncias recentes contra Serra e Alckmin, como mostrou ontem o Estadão. Esse grupo defende uma espécie de "reciclagem" da sigla, com o afastamento de nomes antigos e até a aposentadoria do tucano, ave que é símbolo histórico da legenda. Para esses aliados do governador, tentar mudar a imagem do PSDB é menos traumático do que uma troca de legenda, pensando na campanha à Presidência de 2022.

Embora existam siglas dispostas a abraçar o projeto pessoal de Doria, como o PSD de Gilberto Kassab, a estrutura do PSDB ainda garante ao governador significativa capilaridade em São Paulo - capital e interior do Estado, o principal colégio eleitoral e o segundo maior orçamento do País, atrás apenas do governo federal.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o PSDB "precisa se reinventar, assim como todos os partidos".

Questionado sobre o envolvimento de tucanos em investigações, o deputado disse ter "ótima relação" com Serra e Alckmin e elogiou Doria. "O PSDB vai reconstruir a sua imagem. Tem o governador de São Paulo (João Doria), que é sempre um nome muito forte (para a sucessão presidencial)", acrescentou.

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