São Paulo Durante ato em memória de vítimas do Carandiru, mães relatam histórias de violência policial

Durante ato em memória de vítimas do Carandiru, mães relatam histórias de violência policial

'Estado não mata só os nossos filhos, nos mata também', disse fundadora das Mães de Maio

Durante ato em memória de vítimas do Carandiru, mães relatam histórias de violência policial

Mães relembraram a morte de seus filhos por conta da violência do Estado nesta quinta-feira (6)

Mães relembraram a morte de seus filhos por conta da violência do Estado nesta quinta-feira (6)

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Mães de jovens mortos por policiais fizeram relembraram as histórias dos filhos na última quinta-feira (2) durante ato em memória às vítimas do massacre do Carandiru.

A fundadora do movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, afirmou: "O Estado não mata só os nossos filhos, ele nos mata também. Daqui a pouco nós não temos mais o Mães de Maio".

—Eu sou mãe de um rapaz que trabalhou o dia todo de atestado médico e que a polícia veio e arrancou ele da minha vida. Eu pergunto quem é o crime organizado deste Estado e deste País.

Jucelia Maria dos Santos, também da Mães de Maio, teve seu filho morto por policiais militares no ano passado. Segundo a mãe, ele foi assassinado “pelo simples motivo de estar passando no lugar errado, no momento errado”.

— Ele saiu de casa para comprar um lanche. Chegou do trabalho, ficou tomando uma cervejinha em casa. Aí sentiu fome e saiu para comprar um lanche. Ele estava com uma camiseta de capuz e uma cerveja na mão.

Depois disso, diz Jucelia, os policiais chegaram atirando. Uma das balas acertou a perna do filho: “Meu filho caiu e ainda falou o nome do assassino. O assassino era segurança do mercado que meu filho trabalhava. Aí ele falou assim: ‘quem mandou você estar aqui essa hora. Você vai morrer’”.

A mãe diz que “até hoje está lutando” para que fique provado que os policiais plantaram um pacote de drogas e uma arma na mão de seu filho.

Já o filho de Fátima Silva foi morto às 16h20 de joelhos por “estar desempregado, ser negro e gostar de fumar um baseado”. Ela afirma que policias já tinham avisado que iriam andar por ali “passando o rodo”.

— Eles cumpriram o que prometeram. Antes de dar o segundo tiro na testa ele ainda perguntou porquê. Sendo que ele não estava fazendo nada de mau.

Outra mãe que fez seu relato foi Nádia dos Santos. O filho dela foi morto com um tiro na cabeça. Ela diz que “não está preparada para enfrentar o Estado”, mas que o movimento está dando apoio para ela conseguir colocar os assassinos de seu filho na cadeia: “Eles entram na nossa comunidade, se acham donos da nossa comunidade e dos nossos filhos”.

Lucia Helena diz que sete tiros foram dados para matar o seu filho. Ele era entregador de pizza durante a noite para complementar sua renda. Depois de uma entrega, diz a mãe, quando ele já estava voltando, foi abordado por policiais: “Deram três tiros nas costas dele. Depois voltaram e deram mais quatro tiros, executando ele”.