São Paulo "Ele escapou da minha mão", diz mãe de menino atropelado no Metrô

"Ele escapou da minha mão", diz mãe de menino atropelado no Metrô

Pais questionam segurança nas plataformas. Metrô diz que iniciou as buscas prontamente e localizou uma criança desacordada em um túnel

Antes de ser atropelada, Luan teria caminhado sozinho na plataforma

Antes de ser atropelada, Luan teria caminhado sozinho na plataforma

Arquivo pessoal

A mãe de Luan Silva Oliveira, de três anos, que morreu atropelado no Metrô de São Paulo, Lineia de Oliveira Silva, se lembra com tristeza e sentimento de impotência do que ocorreu com seu filho no início da tarde do domingo (23), em um trem da linha 1-Azul. "Ele escapou da minha mão e saiu correndo", diz. "Tentei correr atrás dele, mas a porta se fechou. Não me lembro de mais nada."

Lineia afirma que o metrô estava lotado e ela iria viajar para Santos com Luan, outros dois filhos, o marido e o sogro. "Ele estava no meu colo em todos os momentos". Quando o trem parou na estação Santa Cruz, a porta se abriu e o vagão se esvaziou. Ela tentou se sentar em um assento mais próximo de sua família quando Luan se soltou de sua mão. "Ele passou pela porta e eu não vi mais nada", diz. 

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A mãe do garoto diz que tentou correr atrás do filho, mas não conseguiu evitar que ele passasse pela porta. Desesperada, Lineia desceu na estação seguinte e retornou para a Santa Cruz. "Soube que ele andou cerca de 40 metros até o túnel antes de ser atropelado. Se tivesse um segurança olhando para a plataforma isso não teria acontecido."

Agora, Lineia quer ver as imagens das câmeras de segurança do Metrô para entender como ocorreu a morte de Luan. "Quando voltei para a estação, os funcionários não estavam sabendo, demorou para falarem onde meu filho estava", diz. "Falaram que o trem atropelou ele."

"O trem poderia ter mais segurança para que isso não aconteça com outras crianças", diz a mãe. Passados alguns dias do acidente, Lineia afirma se sentir culpada pelo que ocorreu. "Se tivesse dado tempo, teria corrido mais atrás dele", lamenta. 

"Não cheguei para o velório"

O pai do menino, Adeilson Bispo Oliveira, de 32 anos, estava na Bahia visitando a família quando foi informado sobre a morte do filho Luan. "Quem me ligou foi minha irmã, voltei de carro de Jequié", afirma. "Cheguei na terça-feira a noite e o velório aconteceu na terça a tarde. Não consegui pegar."

Adeilson também afirma que não consegue entender o que ocorreu com o filho. "No metrô tem alarme. Tinha muita gente e ninguém fez nada. Quero ver as imagens de segurança das câmeras. Também quero saber porque não tinha nenhum segurança."

Um dia antes de sair de viagem, Adeilson se lembra que levou Luan para tomar sorvete e brincar. "Toda vez que olho a foto dele fico em choque", diz. "Hoje, busquei os irmãos dele para passar o dia comigo. Eles estão sentindo muito a falta dele. Queria ter uma explicação. Voltei às pressas para saber se era verdade."

Metrô 

Por meio de nota, o metrô declarou que na manhã do último dia 23, por volta das 11h, os agentes de segurança da estação Santa Cruz do Metrô foram informados pelo Centro de Controle de Segurança que uma criança estava perdida na estação.

"Prontamente iniciaram a busca, que resultou na localização de uma criança desacordada dentro do túnel, a 200 metros de Santa Cruz. O menino foi imediatamente encaminhado para um pronto socorro na região em uma viatura da Segurança da Companhia. No hospital, infelizmente, foi constatado o óbito."

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