'Ele estava querendo trabalhar': ex-usuário de drogas desaparece em SP

Adilson estava se recuperando do vício há mais de dois anos, e aparentava estar normal nos dias anteriores ao sumiço, que ocorreu em junho deste ano

Irmã do desaparecido: 
"Ele era muito próximo da minha mãe"

Irmã do desaparecido: "Ele era muito próximo da minha mãe"

Arquivo Pessoal

Quase quatro meses depois, Noêmia Rodrigues Oliveira descreve o sumiço de seu irmão, ainda sem conseguir explicar o episódio: "Não entendo o motivo dele sumir com R$ 10,00 no bolso", relata. 

Adilson Rodrigues da Silva nunca mais foi visto por familiares e amigos desde o dia 11 de junho deste ano. Ele tinha saído de casa, em Osasco, para comprar um cigarro, em uma das poucas tarefas que fazia fora de casa além de buscar o sobrinho na escola e comprar outros produtos para sua residência, que dividia com a mãe.

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Ela ainda recorda do irmão procurando por emprego, alguns dias antes de seu sumiço: "Ele estava animado querendo trabalhar como auxiliar de cozinha, porque ele gostava muito de cozinhar. Já estávamos até fazendo o currículo".

A irmã de Adilson pensa em diversos motivos para entender o episódio: "Ele não tinha nenhum inimigo, todo mundo gostava dele. Parece que abriu um buraco na rua e sugou ele". Com o irmão em recuperação há mais de dois anos de seu vício em drogas, ela também não acredita na hipótese de Adilson ter voltado a usar substâncias ilícitas.

Problemas de saúde

Adilson já tinha sumido outras vezes, mas nunca por tanto tempo. O vício em drogas já levou o homem a chegar até a Cracolândia, mas por poucos dias. Em outro episódio, desapareceu por três dias depois de ter uma crise de epilepsia. Porém, assim que se recuperou no hospital, pediu para ligarem para seus familiares. 

"Já ligamos em vários hospitais. Mas eles sempre falam: 'ninguém deu entrada com as características do seu irmão'" explica Noêmia. Além de unidades de saúde, a família também buscou por associações que auxiliam pessoas com o mesmo problema, como a Mães da Sé e o Ímpar. 

"Fui na Cracolândia, Arouche, Sé. Fiquei um domingo inteiro na Lapa, no meio de moradores de rua, mostrando a foto dele. Em Osasco, fomos para todos os lugares que você pode imaginar" descreve a irmã, sobre as buscas por Adilson.

Adilson Rodrigues da Silva, tem 1,80m de altura. Ele possui a pele da cor branca, os olhos castanhos claros e é parcialmente calvo. Ele tinha uma tatuagem com a mensagem "100% vida" escrita, em sua perna direita. 

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Adilson Rodrigues da Silva deve entrar em contato com Noêmia pelo telefone (11) 97570-4360.

Problemas com a prefeitura de Osasco

Noêmia ainda reclamou da demora da Prefeitura de Osasco em colocar o seu irmão no banco de desaparecidos da cidade, que está exposto no site da gestão municipal. "Eu consegui cadastrar o meu irmão há dois dias no site. Me falaram que não tinha sistema ou me falavam que iam cadastrar e não cadastravam", conta.

Segundo Noêmia, a demanda só foi cumprida depois de uma denúncia pelo canal 156 e para a Ouvidoria.

A Prefeitura de Osasco, por meio da Secretaria de Assistência Social, informou que  "a solicitação da sra. Noêmia foi atendida assim que a Central 156 encaminhou seu protocolo".

A gestão municipal justificou o atraso, afirmando que: "o cadastro de pessoas desaparecidas estava apresentando erro na hora da conclusão da solicitação. As medidas cabíveis já foram tomadas e os serviços estão funcionando normalmente".

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas