"Ele já nos ameaçou de morte", diz operário que inalou gás de pimenta

Paulo César Barbosa, um dos trabalhadores atingido pela substância química lamenta o ataque: já vivemos na pandemia e ainda temos que passar por isso

Trabalhadores respiraram gás de pimenta por mais de 20 minutos

Trabalhadores respiraram gás de pimenta por mais de 20 minutos

Reprodução/ Record TV

"Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro ataque que sofremos. Ele já nos ameaçou de morte." O funcionário Paulo César Barbosa da Costa, de 40 anos, um dos atingidos pelo ataque com gás de pimenta por parte de um morador de um prédio localizado na rua José Maria Lisboa, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo, diz que ele e os colegas de obra foram alvos de uma série de agressões por parte do mesmo homem.

Segundo o operário, os trabalhadores estão há dois meses e meio no condomínio, que também funciona como hotel. "Ele colocou cola na porta do lugar em que trabalhamos, bateu com uma marreta e já colocou veneno pelo menos outras três vezes", afirma. 

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Paulo César afirma que como há um histórico de problemas envolvendo o morador do condomínio, foi instalada uma câmera para registrar as ações do homem. "Dessa vez, ele jogou muito veneno. Não consegui respirar, nem abrir a porta por conta da quantidade de gás que estava inalando. Passamos muito mal, meu colega começou a vomitar sangue", afirma. 

O cheiro forte do gás de pimenta se espalhou por todo o condomínio, segundo Paulo César. "Ficamos fechados por 20 minutos lá dentro. Comecei a me sentir tonto, com ardência nos olhos e falta de ar. Saímos para a rua da frente para conseguir respirar."

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Hoje, os operários intoxicados não retornarão à obra e o local deve passar por uma perícia. "Já vivemos uma situação complicada por conta da pandemia. Mas temos que trabalhar para trazer o sustento para casa. Ficamos com um certo medo de voltar e passar por alguma coisa pior. Ele pode fazer de novo", afirma o operário, que recebeu a orientação médica de permanecer 12 horas  em observação.

O trabalhador Maurício José de Jesus Silva, de 32 anos, também relata ter sido vítima de outras agressões. "Ele jogou veneno e gás três vezes e tentou colar a porta. É uma situação que se repete há alguns dias", afirma. Ele tenta de todas as formas parar essa obra. Mas existem várias formas de pedir isso até porque existem moradores, funcionários e crianças no condomínio."

Maurício afirma que, como nos primeiros ataques nenhuma providência foi tomada, os trabalhadores decidiram junto à recepção do condomínio acionar a polícia. "Ontem foi o gás, amanhã pode ser outra coisa, ele pode subir armado, dar um tiro, atacar alguém com faca, marreta ou chave de fenda como já ocorreu."

Ele lembra que após inalar o ar não conseguia respirar. "Fechou a garganta, vomitei bastante e acabou vindo um pouco de sangue. Não tivemos tempo de pegar o celular, não conseguia nem lembrar o número da minha esposa. Só por volta das 21h, consegui voltar até o prédio para comunicá-la."

Maurício também disse sentir medo de voltar ao trabalho. "Ficamos com receio de voltar porque não aconteceu nada com ele. Não sabemos a reação dele a partir de agora, se ele vai se incomodar com o barulho, se ele vai ter um novo ataque, mas precisamos trabalhar com garantia de segurança."

O caso

O apartamento do homem que atacou operários com gás de pimenta está isolado e aguarda o trabalho da perícia na manhã desta terça-feira (11). O imóvel está localizado em um prédio na rua José Maria Lisboa, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo.

O homem que atacou os funcinários foi preso após lançar um tubo de gás de pimenta por debaixo da porta do apartamento em obras por volta das 16h24 da segunda-feira (10). O ataque ocorreu no 5º andar do edifício. Os operários que trabalhavam na reforma e outros moradores do andar foram intoxicados.

Após jogar a substância, o homem se trancou dentro do imóvel. O homem teria cometido o ato por se incomodar com o barulho da obra. Segundo condôminos, ele tem histórico de brigas e desentendimentos com outros moradores.

No imóvel, policiais militares encontraram uma porção de drogas, R$ 108 mil e US$ 4 mil em dinheiro. Dez viaturas do Corpo de Bombeiros foram acionadas. Três trabalhadores que inalaram o gás foram socorridas e encaminhadas para o Incor. Uma delas estava com hemorragia intestinal, as demais tinham quadro estável. Uma quarta pessoa recebeu o atendimento dos brigadistas no local e foi liberada.

A Força Tática da PM entrou no edifício e localizou o apartamento do homem. Houve uma breve negociação e até que ele se entregasse. O agressor também deu aos policiais o tubo de gás de pimenta que ele havia usado mais cedo.

A Cetesb foi acionada, quando identificaram a substância com sendo um gás de pimenta, não foi necessário intervir no local. O caso será registrado no 78° Distrito Policial (Jardins).