São Paulo Em São Paulo, lista tem prédio ocupado até em bairro nobre

Em São Paulo, lista tem prédio ocupado até em bairro nobre

Blitze devem começar na segunda. Proposta, da prefeitura, é de fazer vistorias oferecendo treinamento, capacitação e até brigada de incêndio

Prédios ocupados em SP

Em SP, lista tem prédio invadido até nos Jardins

Em SP, lista tem prédio invadido até nos Jardins

Edu Garcia /R7

A lista de edifícios ocupados por movimentos de moradia na cidade de São Paulo que serão vistoriados por agentes da Prefeitura traz endereços em bairros de classe alta, como Jardins e Pinheiros, embora 48 dos 69 endereços fiquem no centro (Luz, Sé, República, Bela Vista e Campos Elísios).

A relação, obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo, tem como base um levantamento sobre risco de incêndios feito pelo Corpo de Bombeiros no ano passado. Na lista está o Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paiçandu, centro da cidade, que desabou na terça-feira após pegar fogo.

As blitze devem começar na segunda. A proposta é que os técnicos da Prefeitura façam vistorias após negociar com os moradores a entrada nos espaços, até oferecendo treinamento e capacitação para que as ocupações tenham uma espécie de "brigada de incêndio".

Entretanto, o secretário municipal da Segurança Urbana, José Roberto Rodrigues, não descarta que haverá interdições de locais que venham a ser considerados "críticos". A definição desses critérios, entretanto, não ainda não foi divulgada.

Expectativa

Um dos locais que está na relação é uma ocupação da FLM (Frente de Luta por Moradia) localizada na esquina das ruas Oscar Freire e Peixoto Gomide, nos Jardins. É um prédio de quatro andares, ocupado há dois anos, que reúne tanto um jardim enfeitado com flores e pezinhos de tomate quanto tapumes de madeira acumulados em um dos cantos do quintal do térreo.

Ali, a notícia da possível vistoria não foi aceita no primeiro momento. "Eles (Prefeitura) tiveram esse tempo todo para fazer isso, é uma indignação", diz a coordenadora da ocupação, Rosemeire de Brito, de 37 anos. "O que é seguro de verdade é ter uma moradia. Eles vão oferecer isso?", indaga, ao afirmar que aquela ocupação é segura.

Uma reunião para iniciar as tratativas sobre as vistorias foi feita nesta quinta-feira (3), na sede do MPE (Ministério Público Estadual), sob coordenação do procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio. Segundo ele, os movimentos teriam aceitado a realização de vistorias técnicas.

Smanio aproveitou para negar que tenha sido um erro o pedido de arquivamento, em março, do inquérito que apurava possíveis riscos à segurança no Edifício Wilton Paes de Almeida. "Não se trata de erro, se trata de laudos, análises de momento. É preciso olhar os processos, os procedimentos como um todo", declarou.

Segundo ele, o pedido levou em consideração as tratativas que ocorriam naquele momento entre a Prefeitura e a União para desocupar o prédio. Smanio reiterou que a função do MP é de fiscalização e as "atribuições administrativas", "de solucionar problemas", são da Prefeitura e da União. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.