Novo Coronavírus

São Paulo Em São Sebastião (SP), testes e barreira sanitária têm limitações

Em São Sebastião (SP), testes e barreira sanitária têm limitações

Teste RT-PCR é necessário para entrar em cidades do litoral norte de SP. Medida de prevenção ao covid-19 vale até o dia 4 de abril

Agência Estado
Barreiras sanitárias estão sendo feitas pelas prefeituras do litoral de São Paulo

Barreiras sanitárias estão sendo feitas pelas prefeituras do litoral de São Paulo

Divulgação Prefeitura de São Sebastião

Preocupadas com a covid-19 no feriadão, cidades do litoral paulista têm exigido testagem para a entrada de turistas. Especialistas dizem, que embora ajude, a estratégia não é completamente eficaz para frear o vírus.

Desde sexta-feira (26), para entrar em Ilhabela é preciso apresentar teste negativo de RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real) feito no máximo 48 horas antes do embarque na balsa de acesso. A regra não se aplica a moradores, trabalhadores de serviços essenciais e quem tomou duas doses da vacina. Válida até dia 4, a medida é acompanhada por outras restrições, como ocupação máxima de 50% para hotéis e pousadas.

Em São Sebastião, o PCR negativo não é obrigatório para quem chega, mas exigido de hóspedes no check-in. O exame também pode ser apresentado como alternativa à testagem rápida, feita na entrada da cidade em barreiras sanitárias. Se há resultado positivo, o visitante fica proibido de entrar.

A barreira em São Sebastião foi desfeita no sábado (27), a pedido da polícia, após congestionamento no dia anterior, mas foi retomada neste domingo, (28). Para o prefeito Felipe Augusto do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), isso inibe, principalmente, o turista de um dia. Recém-chegados são submetidos ainda a questionário epidemiológico e há medição de temperatura.

Especialistas fazem ressalvas e defendem o isolamento como melhor solução. Presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak não indica testes rápidos em situações como a atual. Segundo ela, por ser baseado em anticorpos, o modelo tem grande chance de falsos positivos e negativos. Há vários riscos de falha, como em quem já teve a doença e se recuperou, episódios de reinfecção e mesmo nos dias imediatamente após a contaminação, quando o corpo ainda não respondeu à invasão do vírus.

Ela também reprova a aferição de temperatura. "Não serve para quase nada, no máximo vai dar sorte de alguém estar com febre e mandar de volta para casa. Muitas pessoas que não têm febre podem carregar o vírus; são os assintomáticos", diz.

Vasco Ariston Azevedo, cientista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), concorda. Apesar de considerar o PCR uma opção mais eficiente do que o teste rápido, ele faz ponderações. "Se tem PCR positivo, quer dizer que a pessoa está contaminada com o vírus naquele momento e deve ficar isolada. Mas não é 100% eficaz, muitos estão contaminados mesmo tendo PCR negativo." A falha pode ocorrer por causa do momento da coleta. "Se você se contaminar hoje, só em aproximadamente cinco dias terá carga viral detectável." 

Últimas