Embaixada nega voo de repatriação a 180 colombianos em Guarulhos

As autoridades do país vizinho se recusam a pagar um avião para levar seus cidadãos de volta para casa e o grupo diz não ter dinheiro

Imigrantes colombianos vistos no Aeroporto de Guarulhos neste sábado (23)

Imigrantes colombianos vistos no Aeroporto de Guarulhos neste sábado (23)

Ettore Chiereguini / Estadão Conteúdo / 23.05.2020

Os 180 colombianos acampados desde segunda-feira (18) no aeroporto de Guarulhos aguardando um voo de repatriação e a embaixada da Colômbia no Brasil entraram em uma situação de impasse. As autoridades do país vizinho se recusam a pagar um avião para levar seus cidadãos de volta para casa e os colombianos acampados dizem não ter dinheiro para pagar o valor sugerido pela embaixada.

Neste sábado, 23, seis dias depois da chegada dos primeiros integrantes do grupo ao aeroporto, a embaixada informou por e-mail que não há previsão de que o governo colombiano vá bancar um voo para o regresso de seus compatriotas.

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As autoridades colombianas disseram que já foram realizados três voos (um deles pago por uma agência de viagem para pessoas que tinham passagens compradas mas não conseguiam embarcar) a partir do Brasil nos quais foram transportados 346 pessoas.

A única opção, hoje, é de fretamento de uma aeronave cujos custos seriam pagos pelos interessados em regressar ao país. A embaixada diz ainda que a maioria dos 180 colombianos acampados em Guarulhos é residente em São Paulo, tem onde ficar e não precisaria dormir no aeroporto.

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Segundo a comerciante Nataly Cruz Perez, 28 anos, espécie de porta-voz do grupo, o valor sugerido pelo governo colombiano foi de US$ 420 por pessoa (cerca de R$ 2,3 mil) mas a maioria dos acampados no aeroporto considera o preço muito alto.

"Eles têm que dar um preço que a gente possa pagar. Aí vamos atrás do dinheiro. Se fossem US$ 100 (R$ 553) a gente poderia mas US$ 420 é muito caro", disse ela.

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O grupo ocupa três recuos do mezanino na área de embarque do terminal 2 de Guarulhos. Entre eles há várias crianças. Embora estejam bem organizados, não existem condições mínimas de distanciamento para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

Entre os que residem no Brasil, a maioria perdeu o emprego. Alguns foram despejados de suas residências por falta de condições de pagamento. A maioria sobrevive de doações de alimentos feitas por moradores da região, compatriotas que alcançaram melhores condições financeiras e trabalhadores do aeroporto.

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A direção do terminal tem dado apoio com limpeza e segurança mas cobra uma solução por parte das autoridades colombianas.

Os colombianos acampados em Guarulhos estão entre os milhares de estrangeiros que tentam deixar o Brasil por medo dos efeitos da crise do coronavírus no Brasil mas encontram dificuldades como falta de dinheiro ou fronteiras fechadas noa países vizinhos.