São Paulo Escritório de SP na China negocia liberação de insumos da CoronaVac

Escritório de SP na China negocia liberação de insumos da CoronaVac

Cronograma de vacinação do estado depende da chegada de doses ainda no mês de janeiro. Governo chinês ainda não liberou carga

  • São Paulo | Do R7

Doses de CoronaVac

Doses de CoronaVac

Isaac Fontana/Framephoto/Estadão Conteúdo

O escritório de São Paulo em Xangai, na China, negocia a liberação de matéria-prima para a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan, afirmou o governador João Doria em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (20). 

O escritório foi inaugurado em agosto de 2019, seis meses antes da chegada da pandemia. Por meio deles foi negociado também o envio de respiradores e EPIs ao estado para atuação no combate ao novo coronavírus.

O governo aguarda a chegada de 5,4 mil litros de matéria-prima até o fim do mês e mais 5,6 mil até o dia 10 de fevereiro. O material está pronto, apenas aguardando a liberação. Com ele, é possível produzir 5,4 milhões de doses da vacina. Após a chegada dos insumos, o envase deve ocorrer dentro de cinco ou seis dias. Após o envase, a produção envolve outros processos, como controle de qualidade, por exemplo. A conclusão de todas as etapas leva em torno de 20 dias.

Vacinação

O cronograma de vacinação paulista depende da chegada dos insumos até o final deste mês, conforme afirmou o diretor-presidente do instituto, Dimas Covas, ainda na coletiva de segunda-feira. Covas afirmou nesta quarta, no entanto, que o contrato está sendo cumprido, inclusive dentro da previsão da burocracia chinesa, que inclui autorização do ministério da Saúde, da aduana e do ministério das Relações Exteriores, que viveu atritos com o governo federal. 

Segundo Covas, além dos insumos da CoronaVac também estão na China os insumos da vacina Astra/Zeneca, que será produzida pela FioCruz, e também está com o envio em atraso, o que coloca ao Butantan a responsabilidade de ser o único produtor de vacina no país. Covas pediu apoio ao governo federal na negociação e o governador João Doria pontuou que há um claro mal estar entre os governos brasileiros e chinês por conta de declarações de autoridades federais. 

O estado de São Paulo possui cerca de 1,5 milhões de dose da vacina, que começaram a ser aplicadas no domingo (17), distribuídas a hospitais-escola na segunda (18) e às prefeituras na terça (19). Até a manhã desta quarta, 500 mil doses foram entregues em 13 regionais de saúde e mais de 123 cidades. Ainda nesta quarta, 125 mil doses de vacinas serão entregue a 76 novos locais. A expectativa do governo é que até sexta-feira todos os 645 municípios recebam todas as vacinas da primeira dose. Na sexta-feira, começa a vacinação de quilombolas do Vale do Ribeira e de São Bernardo do Campo e também da população indígena do estado. 

Atualmente o estado conta com cinco mil pontos de vacinação, que serão ampliados a dez mil quando houver o reforço de doses.

Independência

A partir de outubro, a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan deixará de depender de insumos da China. A expectativa do governo vem da construção de uma nova fábrica do Butantan, iniciada em 2 de novembro do ano passado com verba de doações de 23 empresas, arrecadadas em 42 dias, sem contrapartidas.

A previsão é que a nova fábrica seja entregue no dia 30 de setembro e, em seguida, comece o processo de autorização da Anvisa para a operação. 'Isso vai fazer com que tenhamos independência completa na produção da vacina sem necessidade de importar insumos da China", afirmou Wilson Melo, presidente da Invest SP, agência paulista de promoção de investimentos e competitividade.

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