Esgoto invade casas em comunidade de São Paulo

O problema afeta dezenas de famílias e pode ter contribuído com pelo menos uma morte

Tábuas servem como passagem

Tábuas servem como passagem

Acervo/Jhones Rodrigues

Um provável problema de encanamento tornou insalubre a vida de moradores da comunidade Vietnã, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. 

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Há pelo menos um ano, segundo relatos, o nível da água com esgoto se eleva e já chega dentro de moradias locais, em viela que se inicia na rua General Aldevio Barbosa de Lemos.

Segundo a moradora Solange Josefa Ventura, de 37 anos, a Sabesp não está conseguindo resolver a situação.

"Já vieram funcionários da Sabesp para consertar, mas pouco tempo depois volta tudo. Chegaram a nos dizer que não poderiam fazer mais nada. Há um problema nos canos que faz toda a água que utilizamos, da descarga, da pia, ir parar na frente das casas. Está insuportável."

Solange afirma que o problema afeta dezenas de famílias. E pode ter contribuído com pelo menos uma morte.

"Uma moça perdeu recentemente a filha, de 10 anos. Foi muito triste. A menina tinha algum tipo alergia. Certamente esse cheiro e esse ar fétido não contribuíram em nada para a situação", diz.

E não há nada que os faça se acostumar a tais condições de vida. 

"Não conseguimos dormir e nem comer por causa do cheiro. E não sabemos para onde vai toda a água. E se for para debaixo das casas? Corremos risco até de desabamento, dá medo. E pagamos a conta de água normalmente", reclama.

Solange teve até de parar de trabalhar por causa da situação.

"Trabalho com bolos, faço encomendas. Mas tive de interromper. Como vou fazer comida com essa água? Nem dá para trazer ninguém aqui", afirma.

A possibilidade de as chuvas de verão piorarem o cenário aumenta ainda mais a apreensão das pessoas.

"Quando chove, a água chega dentro das casas, afetando a saúde dos moradores", diz Solange.

Segundo lideranças locais, as moradias estão incluídas no projeto de reurbanização da região, em função da construção da avenida Água Espraiada, inaugurada em 1995.

Idosos e crianças praticamente pisam em excrementos que têm se acumulado e têm feito a rua ficar em condições degradantes.

"No corredor que leva às casas só tem idoso, criança, o cheiro está muito forte, o odor é insuportável. É muito dificil, senhoras de idade estão andando em cima de madeiras improvisadas, é complicado, a situação está caótica", afirma Jhones Rodrigues, líder comunitário.

No Brasil, apenas 46% da população tem o esgoto tratado e coletado, segundo dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) de 2017.

Outro lado

Em nota, a Sabesp informou que enviou uma equipe à rua General Aldévio Barbosa de Lemos, mas não localizou o imóvel no número 12. A companhia ressaltou que, nesta rua, a rede coletora de esgoto está "operando normalmente". A Sabesp também informou que os imóveis instalados às margens do corrégo Água Espraiada são irregulares, tornando "o atendimento para coleta de esgoto tecnicamente inviável". 

Veja a nota da Sabesp na íntegra: 

A Sabesp informa que enviou uma equipe à Rua General Aldévio Barbosa de Lemos, mas não localizou o imóvel no número 12. Nesta rua, a rede coletora de esgotos está operando normalmente. A reclamação deve ser referente à Comunidade Vietnã, instalada às margens do Córrego Água Espraiada, e que fica próxima ao endereço citado. A Companhia ressalta que os imóveis instalados às margens do córrego são irregulares, e com isso o atendimento para coleta de esgoto é tecnicamente inviável. No entanto, a sub-bacia de esgotamento do Córrego Água Espraiada está contemplada no programa Novo Pinheiros, em fase de contratação de projetos e obras que têm, dentre outros, o objetivo de promover a conexão de imóveis regulares ao sistema de esgotamento sanitário e, por consequência, o encaminhamento do esgoto gerado à estação de tratamento em Barueri.

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