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São Paulo Estoque do Banco de Sangue de SP é crítico e tendência é de piora

Estoque do Banco de Sangue de SP é crítico e tendência é de piora

Aumento de 11% em transfusões nas últimas duas semanas agrava situação. Doações na quarta (12) ficaram em 35% do necessário

Doações de sangue caíram em São Paulo durante a pandemia da covid-19

Doações de sangue caíram em São Paulo durante a pandemia da covid-19

FramePhoto/Folhapress - 3.2.2021

O déficit de 40% no estoque de sangue disponível para atender hospitais das redes pública e privada na capital paulista, registrado nesta quarta-feira (12), alarmou os responsáveis pelo Banco de Sangue de São Paulo, instituição que integra o grupo GSH (Gestor de Serviços de Hemoterapia), rede especializada em hemoterapia de alta complexidade.

De acordo com Bibiana Alves, líder de captação de doadores da entidade — que atende pelo menos 35 unidades hospitalares na cidade —, o quadro é considerado crítico e deverá piorar nos próximos dias em razão do aumento de 11% no número de transfusões realizadas nas últimas duas semanas.

"Nosso número de doações está caindo. Esse desencontro de transfusão e doação vai agravar [o problema]. No começo do ano, estávamos [com estoque] em torno de 50% a 60%. Chegamos a ficar com 65%. Para atender os hospitais que atendemos, precisaríamos fazer 160 coletas diárias. Hoje [quarta, 12], fizemos 56", acrescentou. O número corresponde a 35% do necessário. Cada coleta realizada pelos captadores representa quatro bolsas de 450 ml de sangue, aproximadamente.

Na quarta (12), a geladeira do Banco de Sangue contava com menos de 2 litros de sangue disponíveis para o envio aos hospitais. No entanto, as unidades hospitalares estão abastecidas com estoques próprios para suprir a demanda diária. "As bolsas são disponíveis para uso após [a realização de] exames de sorologia para ser segura ao paciente. Enquanto isso, ficam em outra geladeira, bloqueadas", explicou Bibiana.

Para evitar o desabastecimento, são feitos remanejamentos no estoque. A estratégia consiste em enviar bolsas coletadas de uma cidade ou estado a outro. "A gente consegue atender todo mundo porque fazemos essa logística a nível nacional. É trabalho maior para remanejar, mas nunca deixamos de atender. Isso pode causar algum atraso, [mas] o paciente não tem prejuízo", frisou.

Pandemia afasta doadores

Em meio à crise sanitária causada pela disseminação do novo coronavírus, as doações de sangue sofreram um forte impacto. O quadro, que parecia se encaminhar para a normalização no início de 2021, sentiu um novo abalo no segundo trimestre do ano. Segundo Bibiana Alves, uma das hipóteses para o recuo nas doações de sangue foi a retomada de atividades presenciais.

"Em abril, as coisas se agravaram. Em maio, está sendo gritante. Até um pouco pior que o começo da pandemia. A gente acha que as pessoas estão retomando as demandas presenciais, trabalhando em escritórios, [levando] filhos [de volta presencialmente] nas escolas. Isso está impactando. A pessoa volta para o escritório e não se sente confortável para pedir uma hora do dia para doar sangue. Essa é a sensação".

Divulgação

Os responsáveis pela gestão das doações têmapostado em campanhas específicas, como o Junho Vermelho, o Novembro Vem Doar, além de ações pontuais em datas comemorativas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais, entre outros.

"Sempre tentamos trabalhar com marketing para trazer [mais doadores]. Essa maneira de incentivar os doadores ao longo do ano é uma forma que as pessoas não se esqueçam do ato de doar. O brasileiro é um povo muito humanizado, mas não é lembrado. Quando a gente fala de campanha, tem uma adesão muito grande", disse Bibiana Alves.

A líder de captação do Banco de Sangue enfatiza que os doadores não precisam temer o risco de contaminação durante o procedimento, pois o grupo possui a certificação Covid Free de Excelência, concedida pelo IBES (Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde), em reconhecimento por manter as melhores práticas de prevenção e enfrentamento da pandemia de coronavírus.

"Houve auditoria, fomos contemplados. Os nossos doares estão seguros quanto à covid. Seguimos todas as práticas de segurança para que os doadores não se contaminem", afirmou Bibiana Alves.

Projeto de Lei

Recentemente, um PL (Projeto de Lei) de valorização e incentivo da doação de sangue e medula óssea foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Cidadania, Justiça e Legislação Participativa da Câmara Municipal de São Paulo.

O vereador Sansão Pereira (Republicanos), autor da proposta na Casa, ressaltou que o projeto não interfere nos órgãos públicos ou lhes atribui competência, apenas prevê que exerçam a função de estimular, orientar e esclarecer a execução de campanhas.

"Em um momento em que o sistema de saúde está em colapso, e o estoque de sangue de São Paulo registra queda significativa, o projeto tem por objetivo divulgar, incentivar e valorizar a doação de sangue e medula óssea, para que mais vidas sejam salvas. A doação de sangue é um ato de amor essencial à vida de inúmeros pacientes internados nos hospitais, inclusive dos que estão em tratamento pela covid-19", complementou o parlamentar.

Requisitos para a doação

O doador precisa preencher alguns requisitos para participar das campanhas. Não é necessário estar em jejum. Entre as exigências, estão:

• Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;
• Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença dos pais no momento da doação);
• Estar em boas condições de saúde;
• Pesar no mínimo 50 kg;
• Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
• Após o almoço ou ingestão de alimentos gordurosos, aguardar 3 horas. Não é necessário estar em jejum;
• Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e língua (12 meses após a retirada);
• Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;
• Não ter tido gripe ou resfriado nos últimos 30 dias;
• Não ter tido Sífilis, Doença de Chagas ou AIDS;
• Não ter diabetes em uso de insulina;
• Aguardar 48h para doar, caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.

A Prefeitura de São Paulo reforçou a informação que as pessoas já vacinadas contra a covid-19 podem doar 48h após cada dose da Coronavac (Sinovac/Butantan) e 7 dias depois de receber uma dose da vacina Oxford (AstraZeneca/Fiocruz).

O Banco de Sangue de São Paulo está localizado na rua Tomas Carvalhal, 711, no Paraíso, zona sul paulistana. O atendimento é realizado de segunda a sexta, das 8h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o horário muda para 8h às 16h. Há estacionamento gratuito no local.

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