CPI da Covid

São Paulo Ex-médicos da Prevent Senior repetem denúncias à Câmara de SP

Ex-médicos da Prevent Senior repetem denúncias à Câmara de SP

Autores de dossiê contra a empresa reafirmaram que foram pressionados a receitar medicamentos sem eficácia contra Covid

Empresa rebate denúncias e diz que ex-funcionários "fabricaram" fatos

Empresa rebate denúncias e diz que ex-funcionários "fabricaram" fatos

REDE CÂMARA/ JRaposo - 14/10/2021

Os ex-médicos da Prevent Senior repetiram as denúncias feitas na sessão desta quinta-feira (25) da CPI da Câmara Municipal de São Paulo que investiga a operadora de saúde. Foram ouvidos nesta reunião os médicos Walter Souza Neto, Andressa Joppert e George Joppert, junto da advogada Bruna Mendes Morato. 

As acusações dos ex-funcionários também foram apresentadas por meio de dossiê à CPI da Covid, no Senado Federal. 

A empresa nega as acusações e afirma que ex-funcionários roubaram e adulteraram dados de pacientes para "fabricar" denúncias contra a empresa.

Walter Neto foi o primeiro a ser ouvido e reforçou que os médicos da rede eram pressionadas a entregar o chamado "Kit Covid", coquetel de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid, aos pacientes da rede.  

"A gente tinha que entregar o Kit no pronto-socorro", relatou aos vereadores. Ele afirmou que a prática se manteve mesmo após uma série de estudos internacionais apontarem a ineficácia dos remédios. "Eu tive que continuar mantendo a medicação até o dia 28 de fevereiro de 2021 [data que ele parou de trabalhar na rede]", completou. 

Neto também afirmou que foi advertido pelos seus superiores no único dia em que optou por não prescrever o remédio. A prescrição, ainda de acordo com o médico, era feita sem eletrocardiogramas preventivos, ao contrário das recomendações científicas. 

“Eu vi esses caras terem total desrespeito pela vida todo o tempo que eu fiquei lá. Acho que não vai ser com a minha que eles vão começar. Já tive ameaça, ouço essas coisas, eu tenho medo realmente de sair na rua. Eu vejo a Prevent como criminosos, porque nós estamos falando de homicídio aqui”, acusou Neto.

Na sequência do depoimento, a médica Andressa Joppert reafirmou em seu depoimento as pressões que os funcionários sofriam para prescrever os remédios do Kit Covid e afirmou que a autonomia médica estava comprometida internamente.

Já o médico George Joppert criticou estudo da operadora sobre a suposta eficácia dos dados da eficácia desses medicamentos. Como responsável pela revisão dos dados da pesquisa, Joppert afirmou, por exemplo, que o estudo, escrito em 4 de abril, usou estatísticas de 14 de abril. Ele também se defendeu de acusações da operadora de fraudar os dados e disse que apenas apontou incongruências no levantamento.

*Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

Últimas