Tragédia no centro de São Paulo
São Paulo Famílias não querem ir para abrigo e Prefeitura oferece auxílio-moradia

Famílias não querem ir para abrigo e Prefeitura oferece auxílio-moradia

Secretaria de Habitação e Assistência e Desenvolvimento Social contabilizam famílias para receber benefícios. Maioria não quer ir para albergues

Moradores da ocupação no Largo Paissandu

Moradores da ocupação no Largo Paissandu

Eliane Neves/Foto Arena/Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado começam nesta quinta-feira (3) o atendimento habitacional provisório das famílias vítimas do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no centro da cidade.

Após 48 horas do desmoronamento, as famílias continuam alojadas na praça em frente em local do incêndio. A maioria afirmou à reportagem do R7 que não quer ir para os abrigos, mas considera a possibibilidade de receber o auxílio-moradia.

"Eles acham que para nós qualquer coisa serve", afirma Neusa Cavalcante, 55 anos, moradora do edifício. "Já fiquei em albergues e sei que são lugares de passagem. Lá não temos as nossas coisas para cuidar", diz. 

A empregada doméstica Janaína Gomes, 35 anos, afirma que para quem trabalha todos os dias fora a possibilidade de ir para abrigos da Prefeitura não agrada. "É muita humilhação ir para albergues, tem regra para tudo e não tem folga para quem trabalha o dia todo", diz ela.

A moradora Ana Lúcia, 57 anos, que escapou das chamas apenas com a roupa do corpo e com uma bolsa, afirma que para quem pessoas mais velhas a rotina nos albergues não é adequada. "Não é isso quer gente quer, queremos uma moradia digna."

Cadastros

Para contabilizar o número de famílias que receberão benefícios, o órgão cruzou os dados das famílias cadastradas pela Secretaria Municipal de Habitação, em março, com as famílias que se apresentaram como vítimas do incêndio para as equipes sociais após o incêndio.

A informação, até o momento, é de que 56 famílias aparecem nas duas listas e moravam na ocupação. Mas o número ainda pode sofrer alterações. Essas famílias, segundo a prefeitura, devem receber o auxílio-moradia. 

O governo do Estado, por meio da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) deve disponibilizar o valor de R$ 1.200 no primeiro mês e R$ 400 a partir do segundo mês. O benefício deve ser pago no período de 12 meses.

A Prefeitura informou que com o cruzamento dos cadastros, começou a acionar as famílias por meio das equipes sociais. Essas pessoas serão encaminhadas até um local definido pelo órgão, onde serão orientadas a emitir os documentos necessários para receber o auxílio-moradia.

Até a noite da quarta-feira (3), pelo menos 44 famílias haviam aceitado ir para os centros de acolhimento temporário da Prefeitura. "A maior parte não quer o acolhimento porque perderiam a oportunidade de obter vagas em outras ocupações", disse Filipe Sabará, secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, em coletiva de imprensa na tarde da quarta-feira.

Segundo a prefeitura, a tendência é que nos próximos dias as famílias alojadas no Largo do Paissandu deixem o local. "Tem também uma questão política, estão lá movimentos que não tem nada a ver com o prédio que desmoronou e pessoas com diversos interesses", afirmou Fernando Chucre, secretário de Habitação.

Também na noite da quarta-feira, a Secretaria Municipal de Habitação e Secretaria Municipal de Segurança Urbana realizou reunião com os movimentos de moradia e representantes da sociedade civil a fim de definir um plano de trabalho para início das vistorias nas 70 ocupações irregulares existentes na cidade

Durante a reunião ficou definido que os movimentos de moradia e sociedade civil formarão uma comissão de oito representantes para acompanhar o grupo criado pela Prefeitura e coordenado pela Defesa Civil para vistoria dos imóveis ocupados.

Déficit habitacional

De acordo com a prefeitura, o déficit habitacional, estimado em 2016, é de 358 mil moradias. Outros 830 mil imóveis estão em assentamentos precários. Para o período de 2017 a 2020, a meta do órgão é entregar 25 mil unidades.

Para esse semestre, a secretaria de Habitação informou que pretende contratar um Censo de Cortiços, para mapear cortiços, ocupações e assentamentos precários na região central. Em janeiro de 2018 foi aberto edital para definição da entidade que será contratada.