São Paulo Filha culpa ex-namorada por morte de família carbonizada em SP

Filha culpa ex-namorada por morte de família carbonizada em SP

Em entrevista exclusiva à Record TV, Anaflávia Gonçalves, apontada como uma das mandantes, rebate acusações

  • São Paulo | Do R7

Mais de um ano e meio depois do crime bárbaro do qual é acusada, Anaflávia Martins Meneses Gonçalves, falou em entrevista exclusiva à Record TV que sua ex-namorada Carina Ramos de Abreu premeditou a morte da família de Anaflávia, que foi achada carbonizada no ABC Paulista, na Grande São Paulo.  O caso ocorreu em janeiro de 2020.

A família de Anaflávia — formada pela mãe, Flaviana Gonçalves, de 40 anos; o pai, Romuyuki Gonçalves, de 43 anos; e o filho mais novo do casal, Juan Gonçalves, de 15 — foi encontrada carbonizada no porta-malas de um carro em região de mata de São Bernardo do Campo.

Dias após o crime, a polícia suspeitou de Carina e Anaflávia, que foram vistas entrando no condomínio onde a família morava na noite do crime. Junto a outros quatro suspeitos, as duas se tornaram rés pelo triplo homicídio qualificado e premeditado, de acordo com investigação da Polícia Civil. 

Anaflávia e Carina sempre negaram e disseram que o combinado era o roubo, mas os jovens que participaram da simulação decidiram matar toda a família.

À Record TV, Anaflávia reafirma a versão mas culpa a ex-namorada, que, segundo ela, teria planejado o crime com os outros suspeitos. "A Carina tinha desde um bom tempo atrás falado de uma simulação de assalto. E, desde o primeiro momento, eu falei que não, porque era a minha família", relata. "E foi batendo na mesma tecla, foi batendo na mesma tecla, até que por fim ela falou: confia em mim, confia em mim que não vai acontecer nada. Vai ser só uma simulação de assalto. A gente já não tem mais nada em casa e precisa arrumar algum dinheiro e a sua mãe tem dinheiro."

Ela ainda afirmou que nunca soube que os pais seriam mortos no ataque. Por isso, diz Anaflávia, sente o maior arrependimento. 

"Eu falo: meu Deus, eu perdi tudo o que tinha na minha vida. O que me dói, moça, hoje não é estar presa, o que me dói é não ter mais ninguém lá fora. Literalmente não ter, sabe? É complicado."

O advogado de Anaflávia, Sebastião Siqueira Santos Filho, afirma esperar que os jurados do caso avaliem criteriosamente o depoimento da ré e os elementos apresentados por ela. "Eu espero que os senhores jurados analisem até uma absolvição do caso do roubo. Homicídio em hipótese alguma", afirma.

As duas ex-companheiras estão na mesma penitenciária, em Tremembé, e romperam o relacionamento. Elas se encontrarão novamente em fevereiro de 2022, quando se sentarão no tribunal do júri. Anaflávia, Carina e outros dois jovens presos pelo crime respondem por triplo homicídio com três qualificadoras (meio cruel, motivo torpe e sem chance de defesa das vítimas), além de roubo e ocultação de cadáver.

A versão apresentada por Anaflávia é rebatida por Carina, que afirmou ter cartas de Anaflávia em que ela assume toda a participação em relação à morte da família.

Anaflávia (à esq.) diz que Carina premeditou o crime

Anaflávia (à esq.) diz que Carina premeditou o crime

Reprodução Record TV

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