Frota de ônibus de SP será menor semana que vem, diz Sindmotoristas

Motoristas e cobradores estão preocupados com lotação dos coletivos e com falta de máscaras, álcool gel e limpeza adequada, como prometeu prefeitura

Cansados de esperar, funcionários compraram máscaras e luvas

Cansados de esperar, funcionários compraram máscaras e luvas

Reprodução / Arquivo Pessoal

Entre as medidas anunciadas pela prefeitura no combate à propagação do coronavírus estava a limpeza com água sanitária dos ônibus a cada viagem. Na prática, isso não acontece. Os coletivos param nos terminais e já seguem viagem. De acordo com o presidente do Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo), Valdevan Noventa, "não há quadro de funcionário para isso nas empresas e nem recursos. É três a cada 100 coletivos que cumprem a higienização", explica.

Leia mais: Metroviários cobram segurança no trabalho devido ao coronavírus

Segundo o Sindmotoristas, a expectativa é de redução da frota de ônibus em circulação de até 50% já na semana que vem. "São 4 milhões de pessoas que usam os veículos diariamente na capital. Estamos buscando uma saída. Trabalhadores estão expostos nas ruas. Eles não são robôs. Alguns estão em pânico porque já tem casos suspeitos em diferentes garagens", revelou Valdevan.

Apesar de o home office estar em vigor na cidade e a demanda por ônibus ter caído cerca de 30%, segundo o sindicato, a frota ainda é a mesma em circulação: 14 mil veículos. Com receio e cansados de esperar pelas empresas, alguns funcionários do transporte compraram máscaras e luvas para trabalhar.

Veja também: Álcool gel será vendido a preço de custo em supermercados de SP

O presidente do Sindmotoristas revela que uma empresa colocou álcool em gel por dois dias nos coletivos e gastou R$ 160 mil: "não há dinheiro para isso". Agora Poder Público, Sindicato Patronal e representantes da categoria estão debatendo a melhor forma para que a frota seja reduzida sem prejuízo aos trabalhadores e à população.

"Não teve liberação de todos os trabalhadores mais velhos, algumas empresas querem dar férias, mas há um limite mensal. Em uma, são 1500 funcionários, sendo que 400 com mais de 60 anos. Estamos negociando para garantir que, com a redução da frota, sejam garantidos os benefícios de todos os funcionários afastados e ao menos 50% dos salários", destacou Valdevan Noventa.

Leia ainda: Justiça liberta jovens gestantes e doentes crônicos da Fundação Casa

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes informou que, por meio da SPTrans (São Paulo Transportes), já iniciou o processo de contratação das empresas de limpeza para a higienização dos ônibus nos terminais urbanos. A promessa é de que o serviço vai começar pelos terminais Parque Dom Pedro, Santo Amaro, Bandeira, Pinheiros e Sacomã. Segundo a Pasta, os trabalhos serão estendidos, gradativamente, aos demais terminais.