São Paulo Frota de ônibus de SP será reduzida em quase mil veículos

Frota de ônibus de SP será reduzida em quase mil veículos

Para entidades, a mudança pode aumentar o número de baldeações na periferia. Alterações começam a partir de 2019, segundo Prefeitura

Mudanças nas linhas de ônibus de SP

Haverá uma redução de 936 ônibus das frotas do sistema de transportes

Haverá uma redução de 936 ônibus das frotas do sistema de transportes

Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo

As linhas e frotas de ônibus de São Paulo serão reduzidas em São Paulo. A informação preocupa usuários do sistema de transportes que reclamam não terem conhecimento dos detalhes da reestruturação de seus itinerários. A mudança significa dizer que 25% das linhas sofrerão alterações. Segundo a prefeitura, as reduções nas frotas ocorrerão a partir de 2019, seis meses após a assinatura do contrato de licitação.

De acordo com o órgão, haverá uma redução de 936 ônibus das frotas do sistema de transportes do município. O número de veículos deve diminuir em 7% e o de linhas em 11%. Para entidades do terceiro setor que acompanham o processo, a transformação pode provocar um maior número de baldeações para quem mora em regiões periféricas.

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A proposta da gestão de João Doria (PSDB-SP) é que os dois sistemas que existem hoje, o local, formado por vans que atendem bairros, e o estrutural, que inclui ônibus grandes que trafegam em vias principais, seja substituído por um modelo dividido em três sistemas: o intrabairro, composto por vans e ônibus pequenos que ligarão bairros residenciais a áreas mais populosas, coletivos médios que saem dessas regiões até os corredores, e o sistema estrutural, com veículos articulados para fazer o trajeto até o centro e às grandes vias.

Para o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo Américo Sampaio, o sistema de transportes permanece inalterado desde 2004, sem acompanhar as transformações urbanas que a cidade sofreu durante os últimos 14 anos. Mas, explica ele, uma mudança lenta e gradual significa dizer à população que “qualquer dia o ônibus não estará lá”. “A prefeitura erra do ponto de vista da comunicação e o pânico da população é reflexo disso”, diz Sampaio.

A licitação para alterar o sistema de transporte deveria ter entrado em vigor em 2013, época em que ocorreram as manifestações contra a tarifa nos transportes e que o Tribunal de Contas do Município apontou irregularidades nas atividades da prefeitura. “Essas mudanças conjunturais atrasaram o processo de licitação”, afirma.

Mudanças

Exemplo de mudança: mesmo itinerário seria realizado por dois ônibus distintos

Exemplo de mudança: mesmo itinerário seria realizado por dois ônibus distintos

Divulgação Prefeitura SP

O secretário municipal de mobilidade e transporte Sérgio Avelleda, afirmou que as mudanças serão realizadas de forma gradual no período de três anos. A ideia do órgão é substituir ônibus menores por veículos maiores. “Vamos sair de 9,5 milhões de lugares para mais de 10 milhões”, diz o secretário. Hoje, São Paulo tem 17 mil quilômetros de vias, das quais 4.860 quilômetros contam com serviços de ônibus. Com a alteração dos itinerários, a previsão do secretário é que a cobertura suba para 5.100 quilômetros.

“Se um ônibus que sai do Jardim Macedônia, na zona sul, e vai até o terminal Santo Amaro enfrenta engarrafamento ele não consegue atender os passageiros. Com o novo serviço, o passageiro sai do Jardim Macedônia, desce no Terminal Capelinha e vai para Santo Amaro pelo corredor”, diz Avelleda. “O intervalo será menor.”

Para conseguir alcançar a eficiência que a mudança propõe será preciso, porém, um conjunto de medidas paralelas. “Num dia de chuva, aumentar o número de baldeações pode ser ruim”, afirma Sampaio. Problemas como a falta de sincronia entre as linhas também interferem no tempo de saída dos veículos. Outro entrave é a ausência de fiscalização efetiva sobre os horários de saída dos ônibus. “Dependendo de como for feita, a redução pode ser negativa”, diz Sampaio. Segundo a prefeitura, hoje os ônibus não são pontuais e o novo serviço “vai melhorar a regularidade” das frotas.

Consulta pública e edital

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes informou que realizou 33 audiências públicas para garantir a participação de cidadãos no edital. Entidades, porém, afirmam que as mudanças ainda estão causando desconforto na população.
Outro aspecto questionado pela Rede Nossa São Paulo é o edital para a escolha das empresas contratadas pela prefeitura para oferecer o serviço de transporte. Um dos pontos considerados preocupantes pela entidade é a exigência de posse de garagem para concorrer.

“As empresas que atuam hoje no sistema de transporte municipal já possuem garagem própria na cidade”, diz Sampaio. “Os interessados em concorrer teriam que desapropriar ou comprar um terreno, o que pode elevar os custos para as interessadas.” Para o especialista, a exigência pode impactar, inclusive, no preço da tarifa, e ainda favorecer as companhias antigas.

A Prefeitura informou ainda que mesmo após ter sido encerrada a fase de consulta pública, passageiros podem enviar sugestões à SPTrans. Segundo o órgão, as que forem consideradas pertinentes serão incorporadas ao texto final do edital. Agora, a Prefeitura informa que será dada continuidade à concorrência pública para definir as empresas que irão operar os ônibus na cidade pelos próximos anos. 

Motoristas e cobradores

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo Valdevan Noventa afirmou que considera a licitação contraditória. Isso porque, segundo ele, a redução de quase mil ônibus geraria a demissão de aproximadamente quatro mil motoristas e cobradores. Segundo a prefeitura, porém, não ocorrerão demissões. “Esses profissionais serão paulatinamente realocados em outras funções”, disse Avelleda.

Noventa questiona a possível realocação. “Como isso vai ocorrer, sendo que já existem mecânicos suficientes e ainda haverá uma redução na frota?” O presidente do Sindmotoristas diz ainda que convocará uma assembleia para discutir a licitação com a categoria. “Haverá manifestação de motoristas, cobradores, mecânicos e faxineiros. Vamos fazer uma nota de repúdio ao edital.”

A prefeitura de São Paulo usou duas linhas para exemplificar as alterações. Confira: