Novo Coronavírus

São Paulo Funcionários do HU da USP denunciam fura-filas em vacinação

Funcionários do HU da USP denunciam fura-filas em vacinação

Relatos de enfermeiros ao R7 incluem má distribuição das doses, não cumprimento de entrega de 1.295 vacinas e falta de diálogo

  • São Paulo | Guilherme Padin, do R7

Resumindo a Notícia

  • Tabalhadores do Hospital Universitário da USP protestam contra superintendência da unidade
  • Eles alegam que médicos fora de grupos prioritários furaram filas de vacinação contra covid-19
  • Denunciantes dizem que 1.295 doses prometidas não foram entregues
  • Médica desligada do hospital há 4 anos teria sido vacinada, além de outros em teleatendimento
Profissionais do hospital farão nova manifestação nesta quinta (3), às 12h30

Profissionais do hospital farão nova manifestação nesta quinta (3), às 12h30

Divulgação/Marcos Santos/USP Imagens

Com atividades paralisadas desde segunda-feira (1º), trabalhadores do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo) protestam contra a superintendência da unidade. Eles alegam que cirurgiões e anestesistas são privilegiados em detrimento de outros profissionais, furando a fila da vacinação contra a covid-19.

Além disso, apontam a exclusão de profissionais terceirizados das primeiras fases de imunização e a falta da entrega de todas as 1.295 vacinas prometidas.

Protesto por vacinação no HU

Protesto por vacinação no HU

Reprodução

Os relatos, feitos sob condição de anonimato ao R7, são de que até uma médica desligada do hospital há quatro anos teria sido vacinada, além de médicos que estão em regime de teleatendimento – ou seja, trabalhando em casa – e uma anestesista afastada por licença-médica desde março.

Os denunciantes apontam que, além da gestão equivocada da imunização com as 700 vacinas disponibilizadas até o momento, a superintendência do hospital não cumpre com os protocolos que se comprometeu a seguir, em ofício enviado às chefias do hospital, e que não se abre para o diálogo com os funcionários.

Primeira leva

Segundo relatam os funcionários, embora a promessa em uma reunião com o conselho administrativo do hospital fosse de 1.295 doses da vacina contra a covid-19, a serem aplicadas entre 23 e 26 de janeiro, a primeira remessa foi de somente 200, enviadas pela secretaria municipal de saúde.

As vacinas prometidas estariam no Centro de Convenção Rebouças, segundo a denúncia, e seriam buscadas na última quarta-feira (27). Porém, no dia, os funcionários receberam a informação de que a secretaria estadual de saúde não permitiu o envio dos imunizantes.

Funcionários realizaram ato na segunda-feira (1º) e pediram vacinação para todos

Funcionários realizaram ato na segunda-feira (1º) e pediram vacinação para todos

Reprodução

Com a primeira remessa, de 200 doses, foram priorizados o ‘gripário’ e a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para adultos. No entanto, funcionários da limpeza dos dois setores, por serem terceirizados, não foram vacinados. O restante das doses foi destinado a outros setores.

Segunda leva

Relatos de fura-fila são frequentes no Brasil

Relatos de fura-fila são frequentes no Brasil

Sergio Perez/Reuters – 04.02.2021

Uma segunda remessa de 500 doses, que chegou em 28 de janeiro, priorizaria profissionais acima dos 60 anos e que tivessem comorbidades. Em seguida, de forma sucessiva a partir de faixas etárias decrescente e sempre a funcionários com comorbidades.

Um ofício da superintendência às chefias do hospital, obtido pelo R7 (confira abaixo), confirma o critério definido para esta etapa da vacinação na unidade.

“Atuo no centro cirúrgico, com um cirurgião e um anestesista. Quando vamos intubar ou extubar um paciente, que é o momento de maior risco, porque entra em contato com a secreção do paciente, o cirurgião está fora da sala. Eu estou dentro. Mas o cirurgião e anestesista foram vacinados, e eu, não”, relatou uma enfermeira.

Os denunciantes contam, ainda, que não conseguem qualquer forma de diálogo com a superintendência do hospital universitário. “Não existe transparência, diálogo e não temos previsão de quando os funcionários serão vacinados”, revelam.

Um novo ato está marcado para esta quinta-feira (4), às 12h30, em frente ao hospital, com as mesmas reivindicações do primeiro, na última segunda: entre elas, principalmente a vacinação em massa para todos os funcionários da unidade, que possui 1.998 trabalhadores entre efetivos e terceirizados.

O R7 solicitou um posicionamento ao Hospital Universitário da USP sobre os relatos dos denunciantes. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. 

Trecho de ofício mostra critérios definidos pela superintendência do HU para a imunização

Trecho de ofício mostra critérios definidos pela superintendência do HU para a imunização

Reprodução

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