Governo de São Paulo prorroga quarentena até 31 de maio

Avanço da pandemia no interior, aumento no número de mortes e casos e baixa taxa de isolamento fazem SP adiar reabertura econômica

Trânsito na Marginal Tiête é sinal de afrouxamento em isolamento social

Trânsito na Marginal Tiête é sinal de afrouxamento em isolamento social

ROGÉRIO GALASSE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A quarentena em todo o estado de São Paulo vai ser prorrogada até o dia 31 de maio, informou nesta sexta-feira (8), o governador João Doria durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. "Gostaria de dar uma notícia diferente daquela que vou dar agora. Mas o cenário é desolador", disse Doria.

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"Nenhum país do mundo conseguiu relaxar as medidas de isolamento social com a curva de contaminação em alta", afirmou Doria. "Infelizmente, nas últimas semanas, houve um desrespeito à quarentena em São Paulo e, tristemente, em outras partes do Brasil também. O número de casos aumentou e aumentou dramaticamente."

Inicialmente, estava previsto um plano de reabertura para determinados setores da economia de acordo com as condições de cada região do estado, como número de casos de covid-19 e capacidade hospitalar.

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No entanto, o aumento no número de mortes, casos confirmados e taxa de isolamento abaixo dos 50% fez com que o governo alterasse os planos para enfrentar o novo coronavírus.

"O Brasil hoje é um país triste. O medo é o pior conselheiro da economia. Prejudica o consumo, afugenta investimentos e ataca os empregos. A quarentena felizmente está salvando vidas em São Paulo e em outros estados brasileiros", disse Doria. "Pessoas que poderiam ter adoecido e falecido estão em vida e agradecendo por estar vivendo e convivendo com seus familiares e desfrutando a longa vida que terão pela frente."

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O governador disse que o estado enfrenta o "pior momento da pandemia". Segundo ele, a previsão é que a prorrogação da quarentena até 31 de maio poderá poupar cerca de 3.200 vidas. Em abril, disse Doria, houve aumento de 3.300% dos casos no interior. Na Grande São Paulo, em um mês, o aumento de casos foi de 770%.

"Não é uma tarefa fácil, nenhum governante, nenhum cidadão, nenhum ser humano tem prazer em dar más notícias. Mas não se trata de ter ou não este sentimento. Trata-se de proteger vidas. No momento mais difícil e mais crítico da história deste país, este é o papel, como governador de São Paulo, ao lado do Bruno Covas, prefeito da capital de São Paulo, que eu tenho obrigação de fazer", disse o governador.

Retomada econômica

O governo de São Paulo trabalha na elaboração de um projeto de retomada econômica que será adotado quando começar a flexibilização da quarentena no estado. O chamado de Plano São Paulo, leva em conta a vulnerabilidade econômica e a empregabilidade e informalidade de cada setor.

Estão sendo construídos protocolos a partir de conversas com mais de 150 entidades e mais de 250 empresas, que criaram mais de 3 mil diretrizes coletadas junto ao setor privado. De acordo com o governo, a partir destes dados serão adotadas 367 diretrizes distintas adequada às demandas de cada setor.

A meta é “garantir saída gradual, responsável e organizada e acima de tudo, que seja efetiva do ponto de vista econômico”, afirma a economista Ana Carla Abrão, coordenadora do Plano São Paulo.

Um conselho municipalista formado por 16 prefeitos de cidades-sede das regiões administrativas foi formado para que ações conjuntas sejam tomadas de forma coordenada em todo o estado.

Epicentro da covid-19

Na Grande São Paulo, que é o epicentro da epidemia, quase 90% dos leitos de UTIs públicos estão ocupados. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde, divulgados na quinta-feira (7), o índice de ocupação de 89,6% na região metropolitana.

Pelo ritmo de avanço do coronavírus em direção ao interior de São Paulo, o Centro de Contingência do governo afirmou ser possível que, até o fim deste mês, todas os 645 cidades do estado já tenham casos de covid-19.

Na quinta-feira (7), 371 municípios paulistas tinham casos confirmados da doença. Durante coletiva de imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, que integra o comitê, apresentou números que mostram que, há 50 dias, eram dez cidades paulistas com casos de covid-19.