São Paulo Governo renova contrato de 1997 por R$ 22,6 bi para construir BRT

Governo renova contrato de 1997 por R$ 22,6 bi para construir BRT

Doria tenta tirar do papel projeto do corredor de ônibus que ligará rede metroviária da capital às cidades do ABC Paulista

Agência Estado
Governador de SP renovou contrato de 1997 por R$ 22,6 bilhões para construir BRT

Governador de SP renovou contrato de 1997 por R$ 22,6 bilhões para construir BRT

Governo do Estado de São Paulo - 30.04.2021

Um contrato assinado em 1997 e renovado, no fim de março, ao custo de R$ 22,6 bilhões, foi a forma que o governo João Doria (PSDB) encontrou para tirar do papel o projeto do corredor de ônibus estilo BRT (ônibus de velocidade rápida, na sigla em inglês) que ligará a rede metroviária da capital e as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A obra, que será tocada sem nova licitação, é uma das promessas de campanha do governador monitoradas pelo Estadão e foi anunciada por Doria na última sexta-feira (7).

O BRT do ABC é o "plano B" do governo paulista após processo iniciado no governo Geraldo Alckmin (PSDB) de levar o metrô até o ABC Paulista, que se daria por um monotrilho. O projeto original chegou a ser assinado em 2018, mas nunca foi tirado do papel. Na campanha, Doria havia prometido que, no lugar do monotrilho, faria um corredor de ônibus mais avançado para a região no mesmo traçado do metrô.

A obra será trocada pela Metra Sistema Metropolitano de Transportes, empresa que opera a rede de trólebus que já existe no ABC, ligando Santo André, São Bernardo e Diadema até a Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul do Metrô.

No fim de março, o governo assinou um novo termo aditivo ao contrato de concessão da empresa, de 23 anos atrás. Por um prazo adicional de 25 anos, a Metra levou, sem novo processo licitatório, a continuidade da concessão existente, o monopólio do transporte intermunicipal de ônibus nas sete cidades que compõem o ABC, que têm 2,5 milhões de habitantes, e o direito de construir e operar o BRT.

A empresa ficará com a receita vinda da venda das passagens do transporte e poderá explorar comercialmente os terminais rodoviários que gerenciar. Em troca, além de requalificar o trólebus existente, terá de viabilizar o prometido BRT - obra estimada em R$ 860 milhões, a ser executada integralmente pela Metra.

A Metra é administrada por João Antonio Setti Braga, um dos empresários de ônibus do ABC que, em 2002, admitiu pagamento de R$ 2,5 milhões, à época (R$ 7,1 milhões, corrigidos), em propinas à Prefeitura de Santo André, na gestão do prefeito Celso Daniel, morto em janeiro daquele ano, para operar na cidade. Ele não chegou a ser indiciado.

Decreto publicado por Doria, ainda em março, previu que a empresa poderia usar o contrato do governo como garantia ao sistema bancário para contrair financiamentos para a empreitada.

O governo afirma que optou por esse modelo para viabilizar a obra porque ele "apresentou-se como de maior vantagem em benefício a população". A decisão foi aprovada pelos conselhos de Desestatização e do Programa Estadual de PPPs.

Serviço

Há previsão de aquisição de 82 ônibus elétricos, com ar-condicionado e wi-fi, que vão servir a 115 mil pessoas por dia. Serão 20 paradas entre o futuro Terminal São Bernardo, que ficará ao lado do Paço Municipal da cidade, e as Estações Sacomã e Tamanduateí, da Linha 2-Verde do Metrô, em um trajeto que se dará em paralelo ao Ribeirão dos Meninos, que marca a fronteira entre as três cidades do ABC.

A região é palco de alagamentos desde o início do século passado. Ao ser questionado sobre a execução da obra no nível do solo nesta região, Doria disse que o governo está construindo o Piscinão Jaboticabal (estimado em R$ 700 milhões), que deve evitar alagamentos na área.

A previsão é que a ligação entre o centro de São Bernardo e as estações de metrô seja feita pelo passageiro em 40 minutos (hoje o trajeto de ônibus supera 1h10). A promessa é que os serviços estarão disponíveis até o fim do ano que vem.

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