São Paulo 'Guru da meditação' vira réu por estupro de vulnerável

'Guru da meditação' vira réu por estupro de vulnerável

Terapeuta Tadashi Kadomoto foi denunciado pelo MP-SP com base em acusações de ex-alunas. Em vídeo publicado nas redes, ele nega a acusação

  • São Paulo | Do R7, com informações da Agência Record

O terapeuta Tadashi Kadomoto, conhecido como "guru da meditação na pandemia", virou réu por estupro de vulnerável após o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) receber denúncia do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). O processo tramita em segredo de Justiça.

Vista da fachada da clínica terapeuta Tadashi Kadomoto em Campinas (SP)

Vista da fachada da clínica terapeuta Tadashi Kadomoto em Campinas (SP)

Wagner Souza Futura Press / Folhapress - 12.10.2929

De acordo com a promotora Celeste dos Santos, uma das idealizadoras do Projeto Acolhimento de Vítimas, Análise e Resolução de Conflitos do MP-SP, uma ex-aluna do terapeuta procurou o órgão no fim do ano passado para denunciá-lo. Ela relatou cinco episódios de estupro. Ainda segundo a promotora, a vítima era estudante do Instituto Tadashi Kadomoto.

"Ela iniciou como estudante dos cursos de capacitação. Naquela época, começou a questão do assédio, promessa de estágio, de futuro emprego no instituto. Ela, então, passou a ser paciente do Tadashi e foi nesse contexto de paciente que ocorreram os estupros de vulnerável, já que ela não tinha capacidade de oferecer resistência e ele tinha ciência disso", segundo a promotora Celeste.

A vítima foi abusada ao longo três anos de atendimento, desde 2017. Ela havia procurado Kadomoto para tratar de anorexia e problemas psicológicos, mas a saúde dela apenas se agravou ao sofrer a violência sexual durante as sessões.

Outras duas mulheres também procuraram o Ministério Público para denunciar Tadashi. Entretanto como o crime já prescreveu, elas serão testemunhas no processo. Ambas sofreram importunação sexual.

Uma delas, que não quis ser identificada, relatou à Record TV que frequentou o Instituto Tadashi Kadomoto por 14 anos. O assédio por parte do terapeuta se intensificou quando ela entrou em um curso de imersão, conhecido como "Expansão de consciência", que exige maior proximidade entre a equipe e o paciente. A vítima ainda contou que o guru se aproveitou de sua vulnerabilidade, pois sabia que a paciente tinha acabado de se separar do marido e que já tinha sido abusada na infância.

Tadashi Kadomoto

Tadashi Kadomoto

Reprodução / Instagram

Depois de vários trocas de mensagem por e-mail, "teve (uma abordagem) pessoalmente, ele se aproximou de mim e começou a elogiar o meu corpo. Me abraçou e disse que me amava, que me queria mais perto. Naquele momento, eu me senti muito constrangida com a situação e decidi não frequentar mais o instituto", relatou a vítima.

Advogado de uma das vítimas, Luiz Augusto D’Urso, conta que funcionários do terapeuta sabiam da conduta inadequada e nada faziam. “Temos provas, e-mails. Funcionários sabiam e chamavam de 'ataque ninja'."

As transmissões ao vivo de Tadashi em redes sociais costumam atrair milhares de seguidores com mensagens de autoconhecimento.

Na madrugada desta segunda-feira (12), ele publicou um vídeo nas redes sociais em que nega a acusação e agradece mensagens de apoio que tem recebido. Tadashi também afirmou que está à disposição das autoridades e que vai se afastar das atividades. 

Primeiro fiquei muito assustado, sem entender o que estava acontecendo porque não fui procurado pela Justiça", afirmou. "Tenho falhas, cometo erros, como todo ser humano, mas jamais cometi atos criminosos."

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