São Paulo Idosos viviam em quartos sujos com animais e lixo em asilo clandestino

Idosos viviam em quartos sujos com animais e lixo em asilo clandestino

Prefeitura de Itapevi (Grande SP) lacrou chácara onde foram encontrados oito homens e seis mulheres entre 70 e 89 anos, alguns deles doentes

Idosos, asilo, clandestino, São Paulo

Chácara que servia de abrigo clandestino de idosos; local não tinha alvará

Chácara que servia de abrigo clandestino de idosos; local não tinha alvará

Márcio Neves/R7

Uma ação da Prefeitura de Itapevi, feita após uma denúncia, interditou na última sexta-feira(16) uma chácara que era utilizada como abrigo de idosos clandestino. No local havia 14 idosos, oito homens e seis mulheres com idades entre 70 e 89 anos, em situação de abandono —alguns estavam doentes e um deles foi identificado como soropositivo.

O R7 acompanhou a fiscalização até o local, que mobilizou ao menos 25 pessoas, entre fiscais da vigilância sanitária, assistentes sociais, da fazenda pública, guarda civis e profissionais de saúde.

No local, uma chácara na zona rural da cidade,  os idosos circulavam em meio a cachorros, alguns deitados em quartos sujos e outros sentados no chão. Uma das senhoras circulava pela casa pedindo ajuda e reclamando de dores.

"Eu não gosto daqui, quero ir embora", dizia dona Maria*, de 86 anos. Seu filho havia mandado ela para um lar de idosos em Osasco, sob a justificativa de que ela não poderia ficar sozinha em casa, mas acabou vindo para este novo local em Itapevi há pelo menos dois meses. Desde então, não teve mais contato com o filho.

Eu não gosto daqui, quero ir embora
Maria, 86 anos, interna do asilo

Alguns idosos relataram ainda que pagavam cerca de R$ 1.500 para ficar no local e que o dinheiro era sacado pelos responsáveis da casa usando seus cartões de aposentadoria.

"Eu pago aqui com o dinheiro da aposentadoria, a Bero [Beronilda do Carmo Ribeiro, que se apresentou como responsável pelo local] fica com meu cartão e saca o dinheiro", relata Antônio*, 83 anos, que afirma estar na casa a pelo menos um mês.

Documentos em nome de uma entidade de outra cidade foram encontrados no local

Documentos em nome de uma entidade de outra cidade foram encontrados no local

Márcio Neves/R7

Segundo Beronilda, o lar de idosos funcionava em Osasco e era mantido pela entidade Associação Estrela de Davi, mas havia sido despejado uma semana antes. Eles teriam vindo para a chácara por uma indicação do advogado da entidade.

"A casa funcionava em Osasco, pagávamos aluguel, mas fomos despejados e o advogado que cuida do processo de despejo conseguiu arrumar este lugar para a gente", afirma.  Ao ser questionada sobre a condição dos idosos, Beronilda negou que eles não recebam atendimento e afirmou também que os saques com os cartões de aposentadoria dos idosos são feitos com autorização da família.

Chácara foi interditada e idosos entregues às famílias

A Prefeitura de Itapevi interditou o local e autuou os responsáveis por funcionar sem o alvará de funcionamento e também por infrações sanitárias. Os idosos foram ouvidos por assistentes sociais, que apoiadas pelos documentos recolhidos na casa, fizeram uma força tarefa para tentar localizar os familiares.

"Disponibilizamos uma van para levar estes idosos até as famílias, caso elas não possam vir busca-los", afirmou a secretária de Assistência Social e Cidadania de Itapevi, Elaine Rodrigues. Ao menos três idosos precisaram ser encaminhados para hospitais das regiões, entre eles o identificado como soropositivo.

Alguns idosos foram levados para hospitais da região

Alguns idosos foram levados para hospitais da região

Márcio neves/R7

As duas pessoas que se apresentaram como responsáveis foram conduzidas para a Delegacia de Itapevi, onde o caso foi registrado e será investigado.

A reportagem fez diversas tentativas de contato com o advogado da Associação Estrela de Davi desde sexta-feira (16), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. As ligações foram repetidas novamente no sábado (17) e domingo (18), novamente sem sucesso.

*nome fictício para preservar a identidade da pessoa em situação de vulnerabilidade.

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