Irmão de suspeita foi o primeiro a ser morto em crime no ABC 

Afirmação é de suspeito que, segundo a polícia, confessou o crime. De acordo com ele, Carina ainda teria sussurrado no ouvido do jovem: "você vai morrer"

Garoto era bem-humorado, brincalhão e bom aluno, segundo colegas

Garoto era bem-humorado, brincalhão e bom aluno, segundo colegas

Reprodução/Record TV

Juan Victor Gonçalves, estudante de 15 anos, foi o primeiro membro da família encontrada carbonizada no ABC Paulista a ser morto, de acordo com o depoimento de um dos suspeitos à polícia. O homem, que confessou o crime, ainda relembrou as ameaças de Carina Ramos, de 31 anos, ao jovem. "Você vai morrer", teria sussurado a mulher no ouvido de Juan. As informações são da Record TV.

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Ele foi agredido e depois asfixiado. Ainda de acordo com os relatos do suspeito, o grupo depois matou o pai de Juan, Romuyuki Veras Gonçalves, 43, e sua mãe, Flaviana de Meneses Gonçalves, 40. Ana Flávia Gonçalves, filha do casal assassinado e irmã de Juan, é uma das suspeitas pelo crime. 

A polícia acredita que o garoto foi morto para que não sobrassem herdeiros para os bens deixados por Romuyuki e Flaviana e também para eliminar qualquer prova do crime. O suspeito, primo de Carina, ainda disse que ela participou do assasinato de Romuyuki, sufocando a vítima.

Cinco pessoas já foram presos suspeitas do crime. Além do casal formado por Carina Ramos e Ana Flávia Gonçalves, três homens que teria realizado o assalto foram detidos. Há ainda um suspeito procurado pelas autoridades.

O objetivo do grupo era roubar R$ 85 mil, provenientes de uma herança, que estariam no cofre da casa da família. Carina e Ana Flávia teriam planejado o roubo e Carina chamado o primo e dois amigos dele para participar do crime. Segundo o primo de Carina, que também está preso, ao perceber que o dinheiro não estava na casa, ela teria ordenado a morte da família.

Menino inteligente e bem-humorado

Juan Victor Gonçalves é descrito pelos familiares e colegas como um garoto dedicado à escola, divertido e bem-humorado. Em postagens nas redes sociais, Flaviana Gonçalves comemorava presentes das professoras ao seu filho e as boas notas de Juan, que tinha bolsa integral pelo desempenho. 

Em vídeos gravados por amigos, Juan aparece cantando e dançando. Ele herdou do pai o gosto pelos carros, mas sonhava em ser astronauta. Muito ligado à avó, o garoto pretendia ganhar dinheiro para poder sustentá-la. 

O caso

Três corpos carbonizados foram encontrados dentro de um Jeep Compass em uma área de mata na Estrada do Montanhão, área de mata em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, na madrugada de terça-feira (28). Quando as equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros chegaram ao local, o veículo ainda estava pegando fogo.

Os corpos eram de Flaviana Gonçalves, de 40 anos, de Romuyuki Gonçalves, de 43 anos, e do filho mais novo do casal, Juan Gonçalves, de 15.

A filha mais velha do casal, Ana Flávia Gonçalves, de 24 anos, e a mulher dela, Carina Ramos, de 31, tiveram prisão temporária de 30 dias decretada na noite de quarta-feira (29). A polícia justificou o pedido de prisão alegando contradições no depoimento do casal.

De acordo com a polícia, no primeiro depoimento as suspeitas mencionaram que a família tinha uma dívida com um agiota e que Flaviana teria saído de casa de madrugada para realizar o pagamento e depois seguiria para Minas Gerais. A presença do adolescente no carro, porém, fez a polícia desconfiar da versão. A Polícia Civil já tinha como uma das linhas de apuração uma possível briga familiar. Os pais, segundo os investigadores, não aceitavam o relacionamento da filha com outra mulher.

Investigação

Na primeira visita da polícia à casa onde a família morava, em um condomínio de Santo André, os agentes encontraram o imóvel revirado, além de marcas de sangue pelos cômodos. Os investigadores consideraram estranho a residência estar nestas condições, pois não havia sinais de arrombamento. Do local foram roubados eletrodomésticos, cerca de R$ 8 mil, dólares, joias e uma arma.

De acordo com a perícia, litros de água sanitária e manchas de sangue foram encontrados no quarto do adolescente. Também foram localizadas manchas de sangue em peças de roupa de Ana Flávia, a filha.

Uma testemunha que está sendo preservada contou aos policiais que ouviu barulhos estranhos vindos da casa das vítimas. Um laudo preliminar apontou que, antes de terem seus corpos carbonizados, as três vítimas morreram com pauladas na cabeça. Como todos os golpes foram do lado direito, a suspeita é de que o autor seja canhoto.

Um homem de cerca de 1,90 m de altura foi visto por uma testemunha junto com as duas suspeitas, na noite do crime, carregando algo pesado para o carro. O suspeito é um primo de Carina, preso na manhã de terça-feira (4). Em depoimento, segundo a polícia, ele confessou o crime, disse que ele foi premeditado e que Ana Flávia autorizou o assassinato da família.

Segundo o depoimento do suspeito, a ideia do trio era roubar joias e dinheiro do cofre da casa. O pai e o adolescente estavam na residência, no condomínio de Santo André, com Ana Flávia e Carina quando três suspeitos chegaram e anunciaram o assalto.

Carina teria sido a primeira a ser rendida. Os homens exigiam valores. Pai e filho foram levados para o quarto do adolescente. O suspeito revelou à polícia que os dois foram mortos asfixiados depois de apanhar. Já a mãe chegou à casa mais tarde e foi vendada.

Como o cofre estava vazio e o dinheiro recebido por Romuyuki não estava na residência, houve uma conversa entre os suspeitos. Naquele momento, segundo a versão do suspeito, as duas autorizaram a morte de toda a família. Na terça-feira à tarde, mais dois suspeitos foram presos. A polícia chegou a eles a partir do depoimento de Carina na segunda-feira (3).

Câmeras

As suspeitas sobre a filha ganharam força depois de as imagens da câmera de segurança mostrarem que ela e a mulher estavam na casa na noite do crime. Por diversas vezes, as duas foram flagradas manobrando os carros da família. O carro de Ana Flávia e Carina também é visto entrando e saindo do local várias vezes. Em depoimento à polícia, Carina, que chegou às 20h ao local, alegou ter entrado por volta das 22h. Câmeras mostram que ela usava um casaco com capuz, mesmo fazendo calor, o que também gerou desconfiança da polícia.

Quando o veículo da família deixa o condomínio, por volta de 1h, o carro de Carina e Ana Flávia sai na frente. Duas horas depois, os corpos de Flaviana, Romuyuki e Juan são encontrados.

Segundo a polícia, ao serem questionadas para onde seguiram após deixarem o condomínio, cada uma das suspeitas disse que se dirigiram a lugar diferente.  A polícia pediu a quebra do sigilo telefônico das duas mulheres para analisar sua troca de mensagens. Lucas Domingos, então advogado do casal, negou qualquer tipo de participação das duas com o crime e disse não ter certeza se havia contradições em seus depoimentos.

A polícia investiga as circunstâncias da morte de Flaviana, a mãe. De acordo o primo de Carina, ela não foi morta em casa. A polícia apura se Carina vestiu um uniforme da vítima, para se passar por ela, entrou no carro com ela ainda viva e assumiu o volante. Tiros foram ouvidos antes de o carro ser abandonado em uma estrada de terra de São Bernardo do Campo. Na sequência, o veículo foi incendiado.

Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostram o momento da saída do Jeep que, mais tarde, seria encontrado com os três mortos.