São Paulo Irmão de Witzel teria acobertado assalto praticado pelo PCC em SP

Irmão de Witzel teria acobertado assalto praticado pelo PCC em SP

Operação da Corregedoria da PM encontrou armamento ilegal na casa do policial militar Douglas Witzel, no interior de São Paulo

  • São Paulo | Fabíola Perez e Kaique Dalapola, do R7

Douglas Witzel foi preso nesta quinta (22)

Douglas Witzel foi preso nesta quinta (22)

Divulgação/Facebook

O irmão do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o policial militar de São Paulo Douglas Witzel, de 42 anos, foi preso nesta terça-feira (22) durante operação que investiga possível ligação de PMs com integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em um assalto a um supermercado de Várzea Paulista, no interior de São Paulo.

As apurações que chegaram a Douglas Witzel também resultaram na Operação Rebote, do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), que teve 18 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão expedidos, com objetivo de esclarecer crimes cometidos pelo PCC nas cidades de Itapira, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Estiva Gerbi, Valinhos, Indaiatuba, Jundiaí e Várzea Paulista, todas do interior de São Paulo.

De acordo com as investigações do MP-SP, o crime que teria participação do irmão do governador afastado do Rio de Janeiro aconteceu no dia 19 de março deste ano. Dois homens, supostamente integrantes do PCC, invadiram um supermercado usando escadas, materiais pesados e celulares para se comunicar sobre possíveis aproximações policiais.

Nessas ligações telefônicas, por meio de interceptações, as investigações apontam que os criminosos mantiveram contato o tempo inteiro com um policial militar que estava atuando na região no momento da invasão ao supermercado. Esse PM, que fazia cobertura aos criminosos, também ligou para Douglas Witzel.

Segundo as investigações, Douglas Witzel estava em patrulhamento pela região onde aconteceu a invasão durante o período em que o crime estava acontecendo.

Ligação do PCC com outro PM

As investigações chegaram até o policial militar supostamente envolvido com o PCC em 22 de fevereiro, quando um outro integrante da facção que estava com o celular interceptado falou ao telefone com um número até então desconhecido, e os investigadores identificaram, durante a ligação, o barulho do rádio de comunicação da Polícia Militar.

O PM e os integrantes da facção mantiveram contatos telefônicos até chegar o dia da invasão ao supermercado. De acordo com as investigações, o policial ficou em ligação com o criminoso durante o assalto, para que o assaltante acompanhasse toda comunicação feita pelo rádio da Polícia Militar.

O que os supostos integrantes do PCC e o policial militar infrator não contavam é que o crime chegaria ao conhecimento do Baep, que foi ao local e frustrou o roubo. Dois homens foram presos, mas as investigaçõe acreditam que outros criminosos conseguiram fugir do local.

Douglas Witzel não foi apontado com participação direta nesse crime, mas a relação com o PM permitiu que fosse expedido um mandado de busca e apreensão pela Justiça Militar na casa dele. Não havia contra ele um mandado de prisão.

A operação foi realizada na manhã desta quinta-feira, com objetivo de encontrar possíveis materiais ligados à invasão do supermercado cometida pelo PCC.

No entanto, quando os policiais chegam à casa do irmão do governador do Rio, encontraram um revólver calibre 38 com a numeração raspada e municiado com seis cartuchos intactos, um simulacro de pistola, além de uma munição calibre 32 e dezenas de cartuchos deflagrados de calibre 380, 38 e ponto 40 (utilizada pela Polícia Militar).

Foi esse armamento ilegal, guardado junto com materiais de trabalho da Polícia Militar, que rendeu a prisão em flagrante de Douglas Witzel.

O material foi apreendido pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jundiaí, no interior de São Paulo, e Witzel recebeu voz de prisão e foi encaminhado para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

O R7 não conseguiu contato com a defesa de Douglas Witzel até a publicação desta reportagem. Para Polícia Civil, Witzel disse que não sabia que a arma estava guardada na casa dele, e que pertencia ao seu sogro, já falecido. Ele não foi questionado sobre o assalto ao supermercado.

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