São Paulo João Doria, o prefeito 'não-político', disputa segunda eleição

João Doria, o prefeito 'não-político', disputa segunda eleição

Sem nem completar seu primeiro mandato, o gestor deixa prefeitura de São Paulo para disputar o governado do Estado

Prefeito e sua marca registrada: o 'Acelera SP'

Prefeito e sua marca registrada: o 'Acelera SP'

Rovena Rosa/Agência Brasil

Foram apenas 15 meses à frente da Prefeitura de São Paulo. A trajetória de João Agripino da Costa Doria Júnior, mais conhecido como João Doria, como prefeito de uma das maiores cidades do país começou repleta de estratégias marketing para se descolar da imagem de um político tradicional.

Em seu primeiro dia de trabalho, em 2 de janeiro, Doria se vestiu de gari para varrer a avenida Nove de Julho. A partir daí, diversas outras ações, tanto nas ruas quanto nas redes sociais marcaram o estilo de governo de um prefeito considerado por muitos como um outsider da política, ou seja, um político nada tradicional que chegaria à esfera pública para revolucionar as antigas forma de governar.

Doria participa de cerimônias discretas nessa sexta-feira (7), que em nada lembram as ações estratégicas do início do mandato, para se despedir da Prefeitura. Em campanha e até mesmo durante o mandato, Doria refutou ao máximo a imagem de um político tradicional. Ancorado no slogan de gestor e em promessas, como a de doar seu salário, ele conseguiu conquistar o voto do eleitor descrente da política tradicional.

Outra aposta do então candidato para angariar eleitores foi o investimento no marketing por meio das redes sociais. Doria reúne até hoje 2,7 milhões de seguidores no Facebook e no início do mandato publicava vídeos curtos e informais, por vezes, gravados por um celular. A estratégia aproximou eleitores e fez com que muitos o considerassem uma espécie de novo líder. “Não sou político, sou um empresário, um gestor”, repetia o candidato.

Doria foi proibido de usar a marca Cidade Linda

Doria foi proibido de usar a marca Cidade Linda

Peter Leone/28.10.2017/Futura Press/Estadão Conteúdo

Novos e velhos métodos

Apesar de, publicamente, negar a política tradicional, nos bastidores, João Doria contou com o apoio de seu padrinho político Geraldo Alckmin.

Essa parceria foi fundamental para que ele ampliasse seu capital político. Mais do que isso: em outubro de 2016, ao lado de seu vice, Bruno Covas, João Doria foi eleitor prefeito no primeiro turno, com 3.085.187 votos, o que corresponde a 53,29% dos votos.

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Ainda em campanha, com grande entusiasmo e cercado pela imprensa, João Doria chegou a assinar uma carta se comprometendo a não se candidatar para nenhum outro cargo político caso fosse eleito. Meses depois, os mesmos eleitores que o elogiavam nas redes sociais, mostraram indignação com a saída do prefeito.

Além das ações de marketing, o mandato de Doria foi repleto de embates. O político-gestor travou uma guerra contra os grafiteiros, quando pintou de cinza a avenida 23 de Maio, se envolveu em polêmicas com ativistas contrários ao aumento da velocidade nas marginais, comandou turbulentas operações policiais na Cracolândia, foi criticado pela distribuição da farinata na merenda escolar de alunos da rede municipal e pela ação de limpeza no centro da cidade que ele mesmo considerou descuidada em julho do ano passado.

Para especialistas, as medidas espetaculosas levaram ao desagaste da credibilidade de Doria. No início de fevereiro, o Ministério Público Estadual (MPE) entrou com uma ação civil contra o prefeito, na qual pede a condenação do tucano por improbidade administrativa pelo uso indevido da logomarca e do slogan Cidade Linda, criado para executar ações de zeladoria na capital.

Trajetória pessoal

João Agripino da Costa Doria Junior nasceu em 16 de dezembro de 1957, na capital paulista. Seu pai, João Doria, publicitário e deputado federal foi perseguido pelo regime militar em 1964, o que o fez se exilar. Com seis anos, Doria passou a viver em Paris, na França com a família. Anos depois, ele voltou ao Brasil e seu pai continuou no exílio.

Aos 18 anos, época em que se graduava pela FAAP (Fundação Armando Penteado) em Comunicação Social, ele atuou em grupos de comunicação e relações públicas. Nesse período, entre os anos de 1983 e 1986, ele foi secretário de Turismo da cidade de São Paulo durante o governo de Mário Covas. Mais tarde se destacou na área dos negócios como empresário e ganhou popularidade como apresentador de televisão.

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Na década de 1990, ele fundou o Grupo Doria, composto por seis empresas, entre elas, o grupo de Líderes Empresariais, o Lide, do qual é presidente licenciado. Ele também comandou diversos programas de televisão, entre eles, o reality show “O aprendiz”, da Record, nos anos 2010 e 2011. Casado com a artista plástica de Pinhalzinho, em Santa Catarina, Beatriz Maria Bettanin Doria, mais conhecida como Bia Doria, com quem tem três filhos: João Doria Neto 23 anos, Carolina, 16 e Felipe, 15.

A família tem o hábito de acordar cedo. Ele chegou a dizer em entrevistas que acordava as 6 horas da manhã para tomar café, fazer exercícios e cuidar da agenda. Não à toa, durante a campanha, Doria escolheu a alcunha de “João Trabalhador”. Agora, um novo desafio virá pela frente: como o prefeito-gestor que se definiu como antipolítico enfrentará a segunda disputa eleitoral de sua carreira?

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