Tragédia no baile da 17
São Paulo Jovem morto em Paraisópolis foi comemorar aniversário em baile

Jovem morto em Paraisópolis foi comemorar aniversário em baile

Irmã do jovem, Vanine Siqueira, cobra que mortes sejam investigadas: "o corpo dele estava caído de frente. Não acho que tenha sido pisoteado"

Bruno Gabriel foi ao Baile da 17 para comemorar o aniversário de 22 anos

Bruno Gabriel foi ao Baile da 17 para comemorar o aniversário de 22 anos

Arquivo Pessoal

Bruno Gabriel dos Santos estava ansioso pela chegada do fim de semana. Na quinta-feira (28), o jovem havia completado 22 anos. A comemoração estava marcada: o garoto se reuniria com os amigos em uma das festas mais conhecidas de São Paulo, o Baile da 17, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

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Ele é um dos nove jovens mortos na favela durante ação da Polícia Militar na madrugada do domingo (1º) em Paraisópolis, em um suposto pisoteamento durante o baile. A irmã e madrinha do jovem, Vanine Siqueira, afirma, porém, que não acredita na versão oficial que vem sendo apresentada pelas autoridades. "Ele estava de frente, se tivesse sido pisoteado seria de costas. Não tem explicação. Quero saber o que aconteceu", diz a irmã que o identificou pelo vídeo exibido por amigos.

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Vanine afirma que era a primeira vez que o menino iria ao baile funk. "Ele queria comemorar o aniversário com os amigos", afirmou. "E ele tinha horário para chegar em casa. Sempre que saia ele tinha que chegar meia noite", conta. Antes de sair de casa para a festa, Bruno pediu que a mãe fechasse bem a porta porque ele não voltaria naquela noite.

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"Lembro que naquele dia, minha mãe fez o prato que ele mais gostava, estrogonofe", diz a irmã. Segundo Vanine, Bruno era muito apegado à mãe. "Ele mandava mensagem todos os dias, dizia que não aguentaria se minha mãe morresse antes dele. Ele falava para a minha mãe que não era nada sem ela."

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Irmão caçula, Bruno morava com a mãe, de 66 anos, e o pai de 81 anos em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. "Por isso, o cuidado com ele era redobrado", diz Vanine. Ele trabalhava como operador de telemarketing e pretendia começar em um novo emprego em janeiro. Um das paixões do garoto eram os carros. Ele colecionava miniaturas de brinquedo e tinha o sonho de aprender a dirigir para se tornar motorista.