São Paulo Jovens presos por atirar na polícia não estavam armados, diz defesa

Jovens presos por atirar na polícia não estavam armados, diz defesa

Motoboy e pizzaiolo foram presos na última segunda-feira (5), após operação da Polícia Civil na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo

  • São Paulo | Kaique Dalapola, do R7, e Laura Lourenço, da Agência Record

Motoboy de 18 anos foi preso durante operação em Paraisópolis

Motoboy de 18 anos foi preso durante operação em Paraisópolis

Arquivo pessoal

O motoboy Ruan Araújo de Jesus, de 18 anos, e o pizzaiolo Evaristo dos Santos Vale, de 21, foram presos na última segunda-feira (5) durante uma operação policial na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, os jovens estariam no Baile da Dz7 e, quando os policiais chegaram para uma operação na região, eles teriam fugido e atirado contra os agentes. No entanto, advogados que defendem os jovens afirmam que eles são inocentes e alegam que os policiais civis que realizaram a prisão não haviam encontrado nada ilícito com eles.

De acordo com as informações registradas no boletim de ocorrência, a Polícia Civil realizava uma operação na comunidade quando as equipes se depararam com a dispersão de um baile funk, e pessoas e motos vinham em direção contrária dos agentes.

Pessoas que estavam no baile funk teriam começado a atirar pedras e outros objetos nos policiais, e os agentes também teriam escutado disparos de arma de fogo, ainda conforme os policiais.

Logo em seguida, uma motocicleta vermelha passou no local e, ainda conforme as informações registradas no boletim de ocorrência, a pessoa que estava na garupa atirou em direção às equipes, e o condutor teria tentado atropelar um dos policiais.

A versão oficial aponta que cerca de 100 metros depois, os dois que estavam na motocicleta caíram. Quando os policiais se aproximaram, prenderam Ruan e Evaristo.

A polícia diz que durante revista pessoal, nada foi encontrado com os jovens, mas alguns metros depois, encontraram uma pistola nove milímetros, que, segundo os agentes, pertencia a Evaristo.

Por conta do acidente, Ruan e Evaristo ficaram feridos. Evaristo torceu o tornozelo e Ruan teve um ferimento na canela. Eles foram socorridos e levados ao Pronto Socorro do Hospital do Campo Limpo, depois encaminhados à delegacia.

A pistola supostamente dos jovens, a motocicleta e um celular foram apreendidos pela Polícia Civil. O caso foi registrado no 89° DP (Portal do Morumbi).

Em documento encaminhado ao Ministério Público, os advogados Iranildo da Silva Alves Brasi e Patrícia Feitosa, que defendem os rapazes, afirmam que os agentes dispararam contra Evaristo e Ruan, motivo pelo qual eles caíram da própria moto e foram socorridos ao Hospital do Campo Limpo, com projéteis no corpo. Tanto os projéteis quanto as armas dos agentes não foram apreendidas pela perícia. 

Além disso, não foi feito nenhum exame residuográfico para comprovar se Evaristo e Ruan teriam segurado a arma e disparado contra as equipes, como diz o boletim de ocorrência, aponta os defensores. Ainda segundo o documento, não foi realizada perícia no local dos fatos.

Os advogados também dizem que Evaristo e Ruan prestam serviço na pizzaria "Hora da Pizza", sendo que Evaristo é pizzaiolo desde 2018. Ambos têm residência fixa e bons antecedentes.

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