São Paulo Jurada passa mal e julgamento dos PMs acusados pelo massacre do Carandiru é adiado

Jurada passa mal e julgamento dos PMs acusados pelo massacre do Carandiru é adiado

Um novo júri será realizado no próximo dia 15 após 20 anos da ocupação da casa de detenção 

  • São Paulo | Ana Ignacio, do R7

Com adiamento, novo júri será realizado no próximo dia 15

Com adiamento, novo júri será realizado no próximo dia 15

Eduardo Enomoto/R7

Após uma jurada passar mal nesta segunda-feira (8), o julgamento de 26 PMs acusados de envolvimento no massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, foi cancelado. Iniciado na manhã desta segunda-feira (8), cinco mulheres e dois homens foram sorteados para decidir se os policiais são culpados ou inocentes. No entanto, com a dissolução do corpo de sentença o júri terá que ser remarcado.

A jurada passou mal na fase de leitura da sentença de pronúncia sobre o caso, iniciada por volta das 11h20. O juiz José Augusto Nardy Marzagão decidiu pelo adiamento às 14h25. Nenhuma testemunha chegou a ser ouvida nesta segunda-feira. Um novo júri será realizado no dia 15 de abril com a escolha de novos jurados.

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De acordo com o juiz, foi constatada a impossibilidade da jurada de permanecer no plenário pela equipe medica do Fórum Criminal da Barra Funda.

Para o promotor Fernando Pereira, o adiamento do júri foi causado por fatores que fogem ao controle das duas partes, mas que a acusação está pronta para o julgamento no próximo dia 15.

— É uma frustração, mas não há prejuízo [para o processo].

Pereira informou também que os sete sorteados nesta segunda-feira (8) não podem compor o novo conselho de sentença na próxima semana. 

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A advogada dos 26 réus, Ieda Ribeiro de Souza, também disse que o adiamento não prejudica a defesa. O que ocorreu nesta segunda-feira (8) foi um "imprevisto". Além disso, a defensora falou sobre o pedido de sigilo dos nomes dos réus.

— Por uma questão de segurança pedi a omissão do nome dos meus clientes e foi deferida. Eu não sei o que aconteceu no Tribunal de Justiça para eles divulgarem.  

Para a advogada, é difícil afirmar se todos os acusados estarão presentes na próxima segunda - dois se ausentaram nesta manhã.   Em relação ao depoimento do então governador na época, Ieda disse ser muito importante ouvir Luiz Antônio Fleury Filho.  

— O depoimento de Fleury é essencial porque ele vai poder explicar como foi determinada a ordem e o que aconteceu (no dia da ocupação do Carandiru).   Ela afirmou também que houve uma ordem para a realização da ação.  

— Houve ordem. Ninguém na PM atua sem ordem. Acredito que tenha sido de um órgão estatal ou governamental. O que não se pode dizer é que ninguém sabia de nada.   

Quando questionada se a absolvição do coronel Ubiratan, comandante da tropa de choque na época indicava uma absolvição de seus comandados, Souza disse que isso é "uma tese jurídica bastante plausível". 

Relembre o caso 

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.  

Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio.  Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.    

Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins.  A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.  

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